Por um triz

19Nov09

Quando essa semana acabar, ou seja, amanhã, só faltarão 4 semanas para minha participação acabar aqui no projeto de Vitória. Estou realmente em contagem regressiva, não estou mais aguentando vir toda segunda feira, é tão difícil ficar longe de casa, do Diego principalmente. Eu casei para ficar com ele todo dia, acordar, dormir, cuidar, conversar, fazer nada. Ando cansada desse ir e vir, mas sei que falta pouco tempo. Mas hoje foi especialmente dificil, sei lá porquê, amanhã eu já vou para casa e por isso era para eu estar mais animada. Mas sei lá, me deu um vazio, uma saudade do meu pai, da minha irmã, do meu marido, da minha casa, da rotina que eu mesma construi. Desci para jantar com o olho vermelho de choro e levei um livro da Martha para ler enquanto comia, porque eu não estava moderna o suficiente para sentar no restaurante fofo que eu fui e ficar olhando para as pessoas acompanhadas e eu sozinha na mesa. E também não estava a fim de comer na padaria! Chegando lá, tinha um cara no piano e uma mulher com uma voz suave cantando e o restaurante estava super cheio. Fiz meu pedido, continuei lendo, vendo o DVD sobre o Rio que estava passando na TV (o pessoal colabora também né?) e pensando que aquele lugar fofo não tinha a menor graça sem o Diego. Até que a voz suave começou a cantar uma música que eu escolhi para os melhores momentos do DVD do meu casamento e depois ela emendou “Olha você tem todas as coisas, que um dia eu sonhei para mim…”. A partir daí, engoli o choro de 1 em 1 minuto até que meu prato chegasse.

Eu não adulta, não sou moderna, sou romântica a moda antiga do tipo que ainda manda flores e daria o meu reino para estar na minha casa.


Outro dia fiquei contemplando da janela do meu quarto a lua cheia mais bonita dos últimos tempos. Durante a semana já tinha visto que ela estava linda, cheia, perfeita mesmo. Daí, na segunda à noite antes de dormir, abrimos a janela do quarto e recebemos aquela iluminação especial, que eu não havia me dado conta que era da lua. E o Diego chamou minha atenção para o fato, quando eu percebi que minha cama estava iluminada não pelos refletores do prédio, até peguei meus óculos para conferir. E ficamos uns bons minutos deitados para o lado contrário da cama, para que pudéssemos ficar com a cabeça virada para a janela, conversando e olhando a lua. Nem dá para acreditar que isso foi possível na capital poluída e cinza que é São Paulo. E mais óbvio ainda que isso é ainda mais bonito porque eu estava muito bem acompanhada, na melhor companhia na verdade, depois de um feriado tão fofo que tivemos.

Sexta feira, voltando de Vitória para São Paulo, fui sentada na poltrona do meio do avião, coisa que é extremamente chata e desconfortável, pois qualquer movimento feito é uma cotovelada em quem está do lado. Retomei a leitura do livro do Prof.Falconi e realmente me concentrei no que estava lendo, quando decidi olhar pela janela para saber se já estávamos entre as nuvens ou ainda não. Sem exageros, levei até um sustinho quando olhei para o céu: havia uma mancha laranja impressionante na linha do horizonte. Era o sol se pondo. Nunca tinha visto tão de perto e com tão forte cor. Larguei o livro de lado, porque o Prof. Falconi eu posso ler a qualquer hora e também porque no meu lugar acho que ele faria o mesmo, pois ele é muito esperto. Mas aquele por do sol, com aquele tom de laranja, sei lá quando eu verei igual. E naquela posição fiquei por alguns bons minutos, igual ao dia da lua, só que dessa vez estava sem a melhor de todas as companhias.

Diante de coisas assim da natureza, sempre penso em Deus e agradeço por Ele ter feito aquilo tão perfeito e por permitir que eu seja capaz de ver e admirar. Não tem como não crer em Deus diante da beleza da Criação.


Outro dia a Bia (a Bacana) me mandou um link de um vídeo que falava sobre as diferenças entre o cérebro masculino e o feminino. Muito engraçado! Falava que o cérebro do homem é divido em vários compartimentos: família, trabalho, amigos, mulher e outros. Não são exatamente esses, mas essa é a idéia. E o mais interessante dos compartimentos era o vazio, aquele onde era guardado nada. Ah! E mais uma característica importante: esses compartimentos não se misturam!! Diferente dos nossos né?! Vendo esse vídeo eu me enxerguei fazendo aquela pergunta clássica ao Diego que eu sempre faço e não tem o menor fundamento: “Em que você está pensando?” E ele responde na maioria das vezes: “Em nada” E eu sempre respondo que é impossível isso, porque sempre estamos pensando em alguma coisa. Mas graças a Bia, sei agora que para os homens é possível.

A minha auto estima é quase inexistente, então gosto muito mais de elogios do que uma mulher normal, só que os homens, o Diego em especial tem uma certa dificuldade em entender meus códigos: esse fim de semana viajamos e eu usei um biquini novo, ele só sabia que era novo porque eu disse, e mesmo depois que eu disse não fez nenhum comentário. Daí lá vou eu: “Achou meu biquini bonito?”

“Diego, se prepara que eu vou pintar minha unha de goiaba!” Ele não gosta de esmalte escuro, então resolvi avisá-lo, mas não adiantou muito, porque ele perguntou que cor era goiaba! Pelo amor de Deus, só pode ser a cor de dentro da fruta né, porque a de fora é meio verde. E olha que o Diego como trabalha na C&A ainda tem algum entendimento sobre cores, tecidos, moda no geral.

Outro dia, eu estava com um chiclete que lembra muito o meu inicio de namoro, era um sabor do Trident que tinha acabado de lançar e o Di sempre estava com um. Então, até hoje quando mastigo esse chiclete consigo lembrar perfeitamente daquela época. Daí nesse dia, eu dei um chiclete pra ele e perguntei, certa de que ele acertaria a resposta, porque eu já tinha comentado isso com ele uma vez: “O que te lembra esse chiclete?” “Ah, sei lá…lembra pastilha valda.” Tão romântico!! Não tive outra opção a não ser cair na gargalhada.

Sou a única mulher no projeto em que estou em Vitoria, a Teresa, outra consultora saiu e só tem eu e a líder que vem aqui uma vez por mês. Hoje depois do almoço cheguei na sala na maior empolgação contando que tinha descoberto uma loja de sapato super legal aqui perto. Silêncio total na sala. Ninguém perguntou onde era, se eram bonitos, baratos. Dois dos meninos se entreolharam e a gente começou a rir. De fato, não tinha como eles falarem alguma coisa diante de um comentário desse. Mas deixei avisado que como sou a única mulher, eles vão ter que compartilhar comigo esse tipo descoberta!

Mas nós somos muito melhores, porque eu converso sobre futebol, sobre formula 1, projetos, gestão empresarial, mas eles não conseguem nem identificar qual a cor goiaba.

No fundo, é nessa diferença que está toda a graça.


De: Para:

28Out09

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Esse texto é parte de um que fala sobre afinidade, gosto muito dele, não sei quem é o autor, mas muitos devem conhecê-lo porque ele sempre circula pela internet. Podia dedicá-lo a muitas outras pessoas, mas hoje escrevo pensando em uma amiga em especial.

A gente se encontra praticamente uma vez por ano, ou até menos que isso, mas estamos sempre muito perto uma da outra. E cada vez que nos reencontramos descobrimos mais alguma coisa em comum. Temos realidades completamente diferentes, nossa história é diferente, mas temos tanto em comum…E isso me alegra demais o coração! Nossas dificuldades, ansiedades, esperanças e fraquezas são muito parecidas.

Passamos a semana inteira juntas, dividindo o mesmo quarto, compartilhando nossas histórias, nossos problemas, nossas futilidades, nossas experiências no trabalho, nossos gostos musicais e ela me proporcionou algo que há mais de 1 ano eu não fazia: dar uma voltinha no shopping com o intuito de olhar vitrines e quem sabe fazer comprinhas…e fizemos. E depois jantamos uma salada porque ambas estão na luta contra os quilinhos a mais e nunca resistíamos ao coffee break no intervalo do curso.

Ela é uma amiga que faz com que eu me esforce pra ser uma pessoa melhor. Acho que já falei isso uma vez, mas repito. Além disso tenho muito orgulho dela!

O nome dela? Dani.


Indo e vindo

27Out09

1 fim de semana no Rio, 1 semana em Vitória, 1 fim de semana em São Paulo, 1 semana em Belo Horizonte  – Fechei a região sudeste!

“Devido ao reposicionamento da aeronave, o embarque será feito pelo portão 3”  – Aeroporto de Vitória, onde há 3 portões de embarque colados um no outro, onde não há fingers e temos que ir caminhando até a aeronave, ou seja, não faz o menor sentido mudar o portão de embarque, se vou ter que ir andando pelo mesmo caminho até o avião.

“O Galeão acaba de fechar para pouso e decolagens, teremos que aguardar” – dentro do avião após esperando 3h para o vôo sair.

“Quem não se sentir apto para estar na saída de emergência, favor se identificar” – Eu, nunca, em hipótese alguma, estarei apta pra abrir a saída de emergência, até porque se acontecer alguma coisa eu estarei desmaiada, mas será que alguém, algum dia, já se identificou para a aeromoça como “não apto”?

Há algumas aeromoças que acham que a gente é surdo, principalmente as que estão nos vôos de 6h da manhã que eu pego, se eu não volto a minha cadeira imediatamente para a posição vertical, não é porque eu não ouvi e sim porque eu acordei às 4h e apesar de estar de olhos abertos eu ainda estou dormindo.

“Tem lugar no corredor?” “Tem sim, senhora”, ao mesmo tempo em que imprimia o meu cartão de embarque com o assento escolhido. Mania que esse pessoal tem de colocar em qualquer lugar sem perguntar, fiz ele imprimir outro cartão de embarque, o cara me joga na penúltima cadeira e sem me perguntar, eu odeio ir no fundo , muito mais do que ir nas cadeiras do meio.

Pousando em SP com avião 95% das vezes chacoalhando: céu azul, nuvens brancas, desce um pouco mais e céu cinza, nuvem cinza, mais nuvem cinza, prédios, prédios, estacionamento do Shopping Ibirapuera, pista.

Piloto: “Estamos quase prontos para decolar, mas 4  passageiros despacharam suas malas e não compareceram ao embarque, sendo assim estamos retirando as malas, pois não transportamos malas sozinhas” Quêêêêê??????


Há tempos não ficava tão feliz em retornar pra minha casa, aliás, há muito tempo não tinha o sentimento de “minha casa” como no meu último retorno para São Paulo. Fiquei 15 dias sem ir para casa e quando cheguei, mesmo no meio da baguncinha em que ela se encontrava fui tomada por uma alegria que há um tempinho não sentia.

Com a mudança para SP, adquiri um pequeno problema: não sentia SP e o meu apartamento no Morumbi como minha casa, porque não gosto de SP e nem do tamanho do meu apartamento e como sei que vou me mudar dele, (e não de SP ainda), não me apeguei aquele local e isso me incomodava um pouco, porque aquela é de fato a minha casa.

Então, quando fiquei esse tempo longe e vi em mim a saudade que eu estava do meu canto e das minhas coisas, foi tão bom, foi a certeza de que de fato ali é o meu lugar, seja ele pequeno ou grande, arrumado ou bagunçado, com ou sem praia. Sem exagero algum: enquanto tomava banho no chuveiro que eu sempre reclamo, agradecia por estar na minha linda casinha.

Além dessa percepção e sentimento de “eu tenho um lar”, a certeza de que o Diego é o meu maior, melhor e mais perfeito amor, companheiro, amigo, parceiro só aumentou. Se é que podemos dizer que certezas aumentam ou diminuem. Mas o estar longe, me faz pensar mais nele, em tudo o que aconteceu conosco, e em quanto Deus teve um carinho especial comigo quando separou e moldou o Diego pra mim. Com a distância, estamos planejando mais, conversando mais, cuidando muito mais de nós dois. O casamento é um presente de Deus mesmo, felizes aqueles que conseguem perceber isso.

Amanhã é dia de voltar para casa e sentir tudo isso mais uma vez!


2016

02Out09

 Imagem1

Terei 35 anos, se Deus permitir terei 2 filhos que vão ficar com o vovô ou com a titia enquanto a mamãe e papai assistem aos jogos.

Espero também a essa altura já estar morando no Leblon…

Fiquei feliz com isso!


rioQuer me fazer um favor? Não fale mal do Rio de Janeiro perto de mim, a menos que você more num lugar semelhante ao da foto acima. Não estou falando da folclórica briga entre paulistas e cariocas, porque os paulistas que conheço zoam o Rio, mas sempre num tom de brincadeira da mesma forma que eu encho o saco deles. Só aceito dizer uma coisa do Rio: que é violento. E ponto final. Ou mehor, e reticências, porque quase todos os outros lugares do Brasil também são. Mas essa mania que algumas pessoas têm de dizer que o Rio de Janeiro só tem vagabundo porque a praia é cheia em dia de semana, dizer que carioca é folgado e malandro me tira do sério total! E nem eu mesma sabia que era tão bairrista assim. Mas essas semana pessoas com esse comportamento me tiraram a paciência. Aceito críticas, mas se você for melhor do que eu ou se tiver algum fundamento para criticar. Do contrário, sai daqui com o seu recalque por nunca ter tido o prazer de morar na terra do Pão de Açucar  e do lugar onde a praia é o habitat natural ou de não ter sido inteligente e sensível o suficente para admitir o quão especial é o Rio. Eu tenho muita saudade!

Percebeu o quanto isso me irrita?


Muitos hábitos e costumes atuais me levam sempre a pensar que eu não me encaixo na época em que nasci. Eu não nasci para ter pais separados, para conviver harmoniosamente naquelas rodas onde há o ex, o atual, a ex do atual, os filhos dele, os filhos dela e os filhos em comum. Nenhuma crítica a esse modelo e nem apologias a casamentos infelizes, mas não me sinto confortável nessas situações.

A música da geração anterior também era muito mais rica, mais charmosa, havia conteúdo, ritmo e sinto que muito mais amor e preocupação com a arte do que hoje em dia. Mas isso, acho que até uma criancinha de 5 anos também acha.

Mas o que mais me distancia da minha geração é a cultura do ser saudável a qualquer custo. Eu odeio malhar, odeio qualquer atividade física, gostaria de cultivar o sedentarismo, mas ainda assim faço uma academia de vez em quando e procuro me policiar na alimentação. Quando vou à academia, confesso que realmente me sinto mais disposta, durmo melhor, me sinto bem e é muito bom ver o meu corpo minimamente no lugar. Mas é chato e ainda tem que pagar, o que é praticamente inconcebível. E aquele clima da academia? As conversas são sempre sobre o fim de semana com super eventos, sobre calorias e carboidratos e séries de malhação e os maiores investimentos são os abadás para o carnaval em Salvador. Óbvio que nem todos são assim, tem gente inteligente, que conversa sobre assuntos interessantes e que também gosta de academia, mas essa gente acaba não chamando tanta atenção.

Não dá pra sentar na mesa de um restaurante e a pessoa ficar sempre avaliando a proporção de proteínas, carboidratos e fibras que compõem aquela refeição. E quando acaba de comer a sobremesa, rapidamente faz a conversão de quanto tempo aquelas calorias precisarão para serem queimadas.

Confesso que eu me influencio por essa neura, ainda bem, porque eu tenho um sério problema, ou melhor, pecado: gula. Inúmeras vezes como muito além da minha capacidade e acabo passando mal, domínio próprio praticamente nulo. Então sempre que consigo, procuro evitar certas coisas, por questões de saúde mesmo, algumas coisas eu tento evitar ou substituir, nem como ou nem faço na minha casa, porque além da minha compulsão, pesa mais na minha consciência do que na balança mesmo: sanduíches de fast food (amo, mas evito ao máximo), açúcar, biscoito recheado, bolo, Nescau, refrigerante normal. Mas também, quando tem eu como tudo, tudinho!

Não tem como me convencer que um prato de salada com um grelhado e uma fatia de abacaxi é saboroso. E olha que eu gosto de salada. Mas fruta só é sobremesa, no máximo, em casa. Mas, ainda  tendo o maior prazer em saborear uma boa refeição, minha alternativa quando quero emagrecer é sempre uma dieta e não uma atividade física. Para ver a minha estima pela coisa!


untitledAqui em Vitória, como estou trabalhando fora da minha base, tenho algumas mordomias, como me deslocar de táxi. Com três semanas de projeto, já não aguento mais esses táxis. Primeiro que a cidade tem pouca oferta, semana passada eu e uma outra pessoa da equipe dividimos o táxi com um desconhecido, em solidariedade, pois do contrário um dos três perderia o vôo. Mas o pior mesmo é que os taxistas capixabas, pelo menos os que eu “conheci”, são os campeões disparados em puxar assunto com o passageiro. Por favor, me poupem! Eles conseguem se superar, porque além de puxar conversa, eles se intrometem no assunto, dão opinião, participam das brincadeiras que fazemos e fazem perguntas. Não adianta não responder, nem pegar o celular para disfarçar. Eles são insistentes e continuam achando que são nossos melhores amigos. Ainda há um agravante: pegamos táxis sempre nos mesmos pontos, os taxistas são sempre os mesmos também, o suficiente para eles se tornarem nossos amigos de infância. Que coisa mala! Acho que me acostumei com a formalidade dos paulistas, que se limitam a prestar o seu serviço e só perguntam qual é o destino. Realmente em São Paulo a prestação de serviços é bem melhor.