Ter tempo é luxo

“És um senhor tão bonito,

quanto a cara do meu filho,

Tempo, Tempo, Tempo, Tempo”

(Caetano Veloso)

Desde que não estou mais trabalhando, posso escolher o que fazer com o meu tempo e isso é libertador, uma experiência e um sentimento incríveis. Agradeço a Deus, de verdade, não só por ter mudado o rumo da vida profissional, mas por ter me permitido viver esse tempo….

…tempo de dormir

…tempo de cozinhar com calma

…tempo de me dedicar a minha casa

…tempo de estar mais com as crianças

…tempo de fazer discipulado em plena tarde durante a semana

…tempo de encontrar amigas, conversar um pouco sem preocupação

…tempo de almoçar com o marido durante a semana com frequência

…tempo de levar as crianças ao pediatra sem peso na consciência

…tempo de ler livro

…tempo de ver TV

…tempo de pensar mais besteira porque a mente não está 100% ocupada

…tempo de me cuidar

Não faz parte do meu plano de vida continuar sem trabalhar eternamente, mas confesso que ter tempo para mim me tem feito bem demais, posso ser mais útil em coisas que realmente acho que valem à pena. Poder decidir o que fazer com o tempo livre é um privilégio. Pode ser que tenham pessoas que não gostem disso, porque minhas atividades são todas domésticas e isso é um trabalho cansativo e sem fim, porque louças brotam na pia ininterruptamente. Claro que às vezes me dá preguiça, mas isso não me angustia, não drena a minha paz e tranquilidade como o trabalho estava me fazendo. Tenho vivido dias que eu sempre sonhei, ter tempo é um luxo. Sei que não será para sempre exatamente assim, mas esse tempo que Deus me deu foi precioso e tenho aproveitado com alegria e gratidão.

Muita coisa para uma cabeça só

Não necessariamente nessa ordem…

  • Morrendo de sono, preciso dormir mais cedo
  • O cara da regional não me passou o plano de ação ainda
  • Tenho que fazer meu plano do aprendizado em campo
  • Tenho que remarcar a consulta do pediatra
  • Tenho que comprar o presente do papai
  • Redistribuir as atividades dos meninos com base no cronograma
  • Preciso mandar o comprovante da escola para menina do RH
  • Isso não tá certo
  • Preciso sacar o dinheiro da Maria
  • Ler o material da pesquisa de inteligência de mercado
  • Acho que a conta de luz não chegou
  • O reembolso da Amil não veio no valor devido, tenho que ligar lá
  • Ver se vão emendar o feriado
  • Vontade de comer chocolate
  • Não sei quando vou conseguir vacinar o Davi
  • Levantar o ganho das ações
  • Vou dar conta nesse ritmo não
  • Será que a Fê comeu voltou a comer direito?
  • Minha unha tá péssima
  • Preciso comprar uma calça urgente
  • Podia aproveitar o feriado e congelar umas papinhas para a Fê
  • Vontade de chorar

A rotina nossa de todo dia

Esses dias em casa de licença sempre me pegava pensando que o trabalho de casa não acaba nunca. E não acaba mesmo!! Li dois textos muito legais de um outro blog, falando sobre isso, sobre essa rotina de casa e sobre o “dar conta de tudo” que nos persegue, ou me persegue. A autora conta tudo o que ela fez desde a hora que decidiu colocar a roupa para lavar e o momento de estendê-las. Eu me vi completamente na descrição dela, aliás, com a chegada do segundo filho aumentou exponencialmente a quantidade de roupas por aqui.

A gente passa o dia inteiro gerenciando e executando as coisas, faz a lista de compras, vai ao mercado, lava-estende-guarda (e não passa no meu caso) as roupas, prepara jantar, organiza tudo o que envolve as crianças e isso vai desde o simples copo de leite antes de dormir, passando pelo recado na agenda dizendo que você está enviando o leite para a pequena, arrumar a mochila da natação, catar os itens perdidos na sala de jantar, faz a listinha do que tem ser feito antes de sair para o trabalho no dia seguinte para não esquecer de nada. E paralelamente a isso, as louças vão magicamente aparecendo na pia, afinal elas estão sempre por ali.

Tão cansativo às vezes e olha que várias tarefas eu nem faço. Há dias eu que eu me acho a mais sinistra das mulheres e em outros eu grito “Eu odeio bolinha de sabão” ao ver que o filho derrubou parte daquele líquido mala. Os momentos de estresse máximo têm aumentado consideravelmente e isso tem de entristecido um pouco, não posso me comportar como uma pessoa que não tem domínio próprio, ainda que eu não tenha… Passei a orar por isso, porque sinceramente não sei muito como mudar.

Mas você não tem babá e nem alguém para te ajudar todo dia? Não, não tenho. Porque optei por escola ao invés de babá e se for para a babá cuidar deles nos fins de semana e à noite era mais fácil não ter tido filho, já que não vou ficar com eles. E alguém todo dia não faz sentido se o momento em que eu preciso de ajuda é à noite. E à noite não dá para ter isso e um apartamento do tamanho do meu não cabe mais uma pessoa o tempo todo, vai me irritar mais do que me ajudar, além de ficarmos sem privacidade. Enfim, esse é o modelo ainda vigente lá em casa.

Sempre buscando maneiras de otimizar meu tempo, me planejando melhor, fazendo as coisas com mais antecedência, estabelecendo rotinas e me esforçando em cumpri-las. Mas não tem como modernizar amassar a papinha de um bebê, por exemplo. A cabeça não descansa e no meio disso tudo há três pessoas que precisam da minha atenção, do meu carinho, que não necessariamente é a roupa limpa e a comida pronta. Mas é por eles a dedicação e o empenho, dá alegria ouvir um “Tá delícia esse papá, mamãe”, mesmo a carne moída estando completamente sem sal. Dá alegria sentar à mesa com o marido e conversar durante o jantar, ainda que seja um omelete.

Estou cansada de saber que ser mulher maravilha é uma roubada total, não acho que tenhamos que ser ou tentar ser. Mas acho que é meu papel cuidar da minha casa e garantir seu bom funcionamento, porque ali tem que ser o lugar que a gente goste e sinta prazer em estar. Esse é o grande objetivo, no fundo, eu estou cuidando daqueles que eu mais amo quando eu tento descobrir como tirar a mancha do uniforme da escola ou quando eu pesquiso como congelar legumes. Quero que meus filhos tenham orgulho de mim por muitos motivos e ser uma mãe que se esforça para administrar a casa é um deles, ser uma esposa que cuida do seu marido também.

Novos hábitos e mais de Deus

Temos uma vida tão corrida, todos nós independente da nossa ocupação. Em São Paulo tenho a sensação de que isso é mais, talvez pelo tempo que desperdiçamos nos deslocamentos pela cidade. Tudo passa meio atropelado, as coisas que fazemos automaticamente, as conversas que temos muitas vezes de forma automática também. Nem nos damos conta do que estamos realizando, evoluindo ou não, que relacionamentos temos construído ou deixado de construir.

Tenho lido bastante nesse período de espera da Fernanda, tenho tido tempo para isso e tem me ajudado bastante em todos os sentidos, aprendendo coisas novas. E paralelo a isso, adotei um hábito que me tem feito prestar um pouco mais de atenção em mim e no que tenho feito da vida, com a vida, com quem está perto de mim. Passei a listar os ganhos que tive na minha semana, faço normalmente aos domingos, listo mesmo, escrevo num caderno tudo o que de positivo ocorreu na semana que passou. E o ganho não precisa ser algo fenomenal que vai revolucionar o mundo, pode ser coisas mais simples como “não agi de forma descontrolada com o Davi quando ele fez tal coisa”  ou “consegui me controlar com a comida”, “almocei com a amiga x”. O desenvolvimento desse hábito tem a ver com o que estava fazendo na terapia e tenho mantido. Na verdade, não precisa escrever de verdade, mas os minutos dedicados a ver o que tenho feito de bom, se tenho alcançado objetivos que tenho proposto para mim, tem sido muito importante para não deixar a rotina e o dia a dia me atropelarem por completo.

Outro ponto, bem difícil, mas que tenho tentado: parar de reclamar das coisas. Isso é muito, muito difícil para mim, mas tenho tentado e por incrível que pareça tenho conseguido mais do que imaginava. Observando as pessoas e situações perto de mim, essa época em que as pessoas só falam da crise que o país atravessa, olho para mim e para família e vejo que não temos problema. Está tudo ok com nossa saúde, com nossos filhos, com nossos empregos, com nossa casa, com nosso casamento, com tudo…Deus tem sido generoso demais conosco, nos livrado de provações, nos dado muito, muito mais do que precisamos, desde as mínimas coisas até grandes coisas. E meu coração tem estado cada vez mais grato a esse Deus que tem cuidado tanto de mim, dos meus meninos e da minha menina também. Não tenho realmente do que reclamar. Graças, mil graças a Deus por isso.

Os dois pontos de vista me ajudam a não ficar no “deixa a vida me levar”, Deus tem agido o tempo inteiro, Ele trabalha enquanto eu durmo, Ele vai a frente, Ele me cerca de todos os lados com mãos generosas sobre mim e a correria da vida não pode me impedir de enxergar isso, porque mesmo os mínimos detalhes são provas do amor do Deus que tem todo o poder, Criador do Universo, que me chama pelo nome, de quem sou amiga e filha.

Ganhos para o futuro próximo

Li uma vez um livro da Constanza Pascolato, chamado “O Essencial – o que você precisa saber para viver com mais estilo”, vou até resgatá-lo para ver de novo. Gostoso de ler, cheio de figuras legais, com um texto agradável de ler. O tema do livro, apesar do nome, não retrata realmente o essencial da vida, nem desenvolve habilidades para me tornar a CEO de uma empresa como 95% dos livros que todas as pessoas insistem em ler. Mas cumpriu o propósito que tinha para mim, pelo menos.

No livro ela fala sobre elegância, bom senso, a importância do comportamento e não só da roupa, sobre atitude e postura, indo nessa linha do comportamento. E sempre lembro de uma parada que li, que me vi no que estava lendo: sobre essa questão de como se comportar.

Não sou uma mulher que fale palavrões, já falei muito e tenho uma tendência forte a ser desbocada, mas me controlo e o fato de conviver com pessoas que não falam é um fator que colabora para o sucesso do controle da minha língua. Isso já ajuda demais nessa questão da postura. Acho que paulistas são menos desbocados que cariocas de uma maneira geral, as mulheres principalmente. Mas sou uma pessoa irônica no falar, sempre uma piadinha para fechar a frase, uma indiretinha zoando o assunto, às vezes acho que podia ser um pouco menos, bem menos, mas é difícil para mim. De verdade.

Um ponto que ela levantou foi sobre movimentos, pessoas elegantes têm movimentos mais…comedidos digamos, menos exagerados, mais lentos. Concordo muito. Não é o meu caso. E lembrei de tudo isso porque hoje ao tomar um café na padaria, toda de roupinha de trabalho, estava sentada com as duas pernas em cima da cadeira, tipo indiozinho. Como se eu fosse uma criança de 10 anos de idade e não uma mulher de bla-bla-bla anos de idade. Nos lugares de maneira geral, tenho mania de colocar os pés em cima da cadeira ou sofá ou me sentar já quase deitada na cadeira. Na boa, tem ocasiões que não cabe isso.

Como tenho pensado muito, mais do que sempre, e planejando iniciativas mínimas (“planejando iniciativas” – existe isso? Enfim…) para mudar algumas coisas no futuro próximo, essa lembrança do livro me fez bem. Não dá para me formatar dentro do padrão estabelecido pela Constanza ou por qualquer outra pessoa, nem é inteligente na verdade. Mas assim como busquei e utilizei várias dicas para me tornar uma mãe que fizesse sentido para mim, posso adotar as dicas que me tornem uma mulher mais interessante, dentro dos meus parâmetros de “interessante” – eu posso escolher como me comportar e como me vestir. Meio óbvio na teoria, mas na prática nem tanto. Mas assumi um compromisso comigo mesma que vou tentar. E tenho mudado coisas bem mais difíceis que isso….

Ser mãe novamente tem me feito repensar sobre vários outros aspectos da minha vida, tão importantes quanto à maternidade, mas que foram deixados meio de lado nos últimos 3 anos. Nunca é tarde. Sabia que voltar à terapia me traria ganhos.

A arte de procrastinar

Moro no meu apartamento atual há 4 anos e quando nos mudamos levamos um movelzinho rídiculo (era mesmo) comprado nessas grandes lojas de varejo de coisa de casa. Ele veio de Campina Grande, do apartamento totalmente tabajara (em termos de móveis) que Diego morava. Usávamos no apartamento do Morumbi e quando nos mudamos ele foi conosco provisoriamente, já que precisávamos de um lugar no escritório para apoiar o computador e funcionar como uma estação de trabalho em casa. O escritório já tinha um armário bem bom no apartamento novo, mas não possuia uma bancada de apoio.

Pois bem. O que era provisório, passageiro, temporário, levou 4 anos! Por pura preguiça, preguiça de sair do lugar e pesquisar uma outra solução. Preguiça de sair do sofá e zoninha de conforto e fazer algo que mudasse aquele cenário que não trazia nenhum, nenhum benefício. A não ser que eu estivesse passando por necessidade financeira e impossibilitada de adquirir outra coisa, o que não era o caso.

Com a chegada da Fernanda, tive que reformar um quarto e aproveitei isso para, enfim, arrumar o escritório. Depois de pronto, olhei para ele e pensei “Por que não fiz isso antes?” Algo tão simples, que vai ser bem melhor para nós usarmos, ficou bonito, aproveitou o espaço e eu por 4 anos com aquela solução amadora.

Assim como para o armário, que era provisório e me perseguiu por todo esse tempo, me faço as mesmas perguntas. Até quando vou continuar comprando roupas mequetrefes que não me ajudam em nada a ter uma auto estima melhor? Até quando vou só lavar meu cabelo com shampoo e condicionador comprados no supermercado (e isso resumir toda minha dedicação a ele) e esperar que ele fique sensacional igual ao da Maria Fernanda Candido? Até quando vou adiar minhas decisões na vida profissional e me distanciar cada vez mais do que acredito? Até quando vou ser indisciplinada e não separar um horário para uma atividade física? Até quando vou centralizar tudo em mim nos afazeres da casa? Até quando vou ver os feriados passarem e eu não fazer nada de interessante simplesmente porque eu e meu marido só somos planejados no nosso trabalho?

Menos de 4 anos, eu espero.

A alegria de escrever

cadernoComecei a escrever aqui já tem um tempinho, o começo se deu porque gostava de ler os textos de uma amiga que tinha um blog e isso me encorajou. Eu também gostava de escrever e esse podia ser um lugar onde poderia exercitar esse meu passatempo.

Os anos passaram, meus amigos começaram a ler e comentar sobre e terem mais intimidade comigo à medida que liam coisas específicas da minha rotina, da minha vida. A chegada do Davi me trouxe um novo universo com o tema maternidade e esses são os meus textos preferidos.

Não penso num tema especificamente para escrever, o máximo que faço é me organizar para não postar seguidamente sobre um mesmo assunto, mas de uns meses para cá os textos têm aparecido com maior generosidade na minha mente, tenho conseguido deixar agendados posts com até 3 semanas de antecedência, permitindo uma periodicidade semanal.

Claro que sou amadora, mas estou sempre prestando atenção no que acontece ao meu redor, nas pessoas, no que elas dizem, como elas se comportam, o que a apareceu na TV, como eu reagi a determinada situação e assim os textos vão sendo formados na minha cabeça. Na maioria das vezes, eu anoto ou num caderninho ou no celular a ideia que apareceu, para não desperdiçar o momento de criatividade. As vezes vai só a ideia central como “santa ceia” por exemplo, ou um pouco mais detalhado como “dúvida de como amar o segundo filho igual”.

Os textos me ajudam a estruturar meu próprio raciocínio, a sedimentar meus argumentos e pontos de vista em relação as coisas. Sem contar que é um excelente modo de desabafar também, muitas e muitas vezes já escrevi, programei de publicar e desisti. Porque ficou agressivo, ácido demais ou uma exposição excessiva minha.

Quando estou no computador escrevo o texto que veio na cabeça, reviso o português mas depois de publicado sempre acho alguns furos, de digitação ou erro de verdade mesmo. Deixo ele agendado no blog e antes de publicá-lo ainda dou várias lidas. Minha maior dificuldade é colocar o título, dificilmente gosto dos que eu escolho. Também tenho o hábito de voltar a um texto antigo e relê-lo.

Tenho gostado cada vez mais de escrever e do retorno de algumas pessoas em relação a isso, ou porque riram, ou porque se emocionaram de alguma forma ou porque o texto foi útil para qualquer coisa. Além de ser um hobby, de satisfazer um desejo pessoal, gosto da possibilidade de fazer alguma diferença, por menor que ela seja.

E agora, além do Livrinho, tenho outro lugar também: o Maternidade Plural, que obviamente se limitará a falar sobre maternidade, ainda que esse tema seja quase infinito, Espero que também dê certo.