Só nos dois

Uma das coisas que mais tenho saudade de antes de ter filhos é ter tempo livre para fazer o que eu quiser. Isso inclui tempo a sós com meu marido, sem ninguém interrompendo, mostrando um brinquedo a cada dois minutos ou fantasiando qualquer história. Não tenho família em SP e acabei me acostumando a fazer tudo com as crianças junto, raros são os momentos em que ficamos sozinhos e não tenho dúvidas de que isso prejudica um pouco a relação. A gente precisa de um pouco de paz, né? Os filhos são indiscutivelmente uma bênção na vida de um casal, mas antes de sermos pais, ainda somos um casal. E tento, no meio do brinquedos, dos gritos de “mããããe”, não me esquecer disso.

Os amigos sempre se oferecem para ajudar, para ficar com eles, sei que fariam com carinho como já fizeram algumas vezes, mas me sinto um pouco folgada em deixar meus filhos com alguém enquanto me divirto por aí. Bobeira, mas penso assim. A moça que trabalha aqui também já se disponibilizou a ficar uma noite quando precisasse, mas ainda não testei também.

Mas temos conseguido fazer isso quando vamos ao Rio, eles ficam com meu pai e minha madrasta e a gente sai para algum lugar. Não vou frequentemente ao Rio, mas sempre que estamos lá, isso se tornou uma rotina.

No último feriado saímos duas noites, uma fomos jantar num restaurante maravilhoso de bom e podemos desfrutar da comida e conversarmos sobre aquela experiência num lugar bacana. E no dia seguinte fomos num barzinho e conversamos tanto, tanto, tanto, como há muito tempo não fazíamos. E falamos quase nada sobre as crianças, falamos muito sobre nós dois, sobre o que a gente espera do futuro, éramos sós nós dois, inclusive como o principal tema da conversa. Era como se estivéssemos namorando há pouco tempo. Duas noites que nos fizeram lembrar e aproveitar o fato de que somos, antes de pais do Davi e da Fernanda, marido e mulher.

Vim com a sensação de que deveria tentar fazer isso mais vezes, isso parece até fácil, já que não faço nunca. Precisava me organizar e planejar melhor. E tentar! Cordão umbilical já foi cortado tem tempo, mas ainda não é tão simples para mim. Nem por ficar longe deles (uma noite eu consigo…..Rs), mas por ter que depender de alguém que em tese não tem nada a ver com isso. Sabe quando dizem, “quem pariu, que embale”? Por aí. Mas a vida por ser mais leve…Acho.

 

O relato de um Ironman (ou a declaração do meu amor)

IMG_5236(Na véspera da prova, meu marido mandou para algumas pessoas o texto que estou compartilhando. Li e reli e sempre me emociono. Foi um momento incrível para nós como família. Diego é um cara reservado, de poucas palavras, e a prova fez com que ele compartilhasse um texto desse tamanho…).

“O Ironman é a realização de um sonho de superação, algo que não imaginei que alcançaria. Desde quando comecei a correr em 2010, sempre vi o Ironman como inatingível. O sonho mais próximo que visualizava era ingressar no mundo do triathlon para fazer provas curtas.

O tempo passou e evolui bastante. Desde as primeiras provas de 10 km até as maratonas, sempre me realizei com a mistura entre superação e a capacidade de adaptação do nosso corpo. Mas o sonho do triathlon continuava. Até que se tornou uma meta para 2015: não terminar o ano sem fazer pelo menos uma prova de triathlon. Mas, a sobrecarga no trabalho quebrava a rotina de treinos e eu perdia bastante em performance e resistência.

Após a Maratona de Nova York em Nov/15, tinha recuperado grande parte da forma física, mas ainda não tinha alcançado a meta do triathlon. Por isso, comprei uma Bike e comecei a treinar. Também comecei a natação. E a primeira prova foi um triathlon short: natação 750m, Bike 20km e corrida 5km. E assim confirmei que o mundo do triathlon era muito mais legal que o da corrida.

Fui evoluindo na Bike e natação, ganhando confiança para fazer provas mais longas. Foi quando comecei a acreditar que era possível fazer um meio Ironman (natação 1900m, Bike 90km e corrida 21km.). Me inscrevi para o meio Ironman do RJ que seria em Nov/16. Na época, o treinador me falou que a conclusão do meio Ironman habilitava para começar a treinar para um Ironman completo. Não acreditei. Era a possibilidade de mirar o alvo que achava impossível. Me inscrevi para a prova do Iron em Floripa acreditando que não aguentaria, mas não podia perder a oportunidade, porque as inscrições se esgotam em horas.

Fiz o meio Ironman no RJ, foi muito duro, mas uma alegria em fazer algo que parecia impossível. A cabeça começa a questionar se seria possível aguentar um Ironman completo, considerando que o meio Ironman foi tão duro. Decidi seguir adiante e tive um fim de ano bastante disciplinado, continuei treinando forte e mantendo a dieta diferenciada.

Aos poucos fui construindo uma resistência que nem eu acreditava. Comecei a me acostumar com treinos de 150km de bike, às vezes 180km num dia e 36km de corrida no dia seguinte, culminando em 120km de bike e 30km de corrida logo em seguida. Quando realizei esse treino que era quase 70% da prova, vi o quanto seria difícil, mas também vi que era possível. Gerou uma confiança grande.

A maior dificuldade, mais do que aguentar os treinos (2 vezes por dia e às vezes com duração superior a 6h), mais do que conciliar com o trabalho (acordar às 4:30h), sempre foi a atenção à família, principalmente à Rafinha. A minha esposa é uma verdadeira IronWife. Porque o que ela aguenta é muito mais que toda essa rotina de treinos. Se não fosse o apoio dela, nada disso seria possível. Por isso estou tão feliz, antes mesmo de fazer o Ironman.

Ontem li uma frase interessante: “Vencer não é concluir o Ironman, mas ter a coragem de começar”.

Quero agradecer a Deus por esse privilégio e por ter me sustentado até aqui. Quero compartilhar com minha família essa conquista! E quero dedicá-la à Rafinha, minha mulher virtuosa!

9 anos, parabéns pra gente!

img_1865Já falei zilhões de vezes que amo ser casada, eu amo dividir meus planos, sonhos, minha vida com meu marido. Amo chegar em casa e tê-lo comigo para compartilhar qualquer coisa.

Mas, não sou alienada e tenho meus pés bem firmes no chão. Manter um casamento não é fácil, com a chegada dos filhos essa tarefa exige ainda mais esforço. A gente passa por tantas fases, altos e baixos, nossas dificuldades individuais refletem em casa e não poderia ser diferente mesmo. Há momentos, quando as coisas estão esquisitas, que parece que você não tem nada a ver com o outro, nossos olhos só querem enxergar aquilo que não está bom, aquilo que o outro poderia melhorar ou ser diferente.

Ser esposa (e mãe também) é onde eu tenho mais dependência de Deus, são motivos diários de oração minha. Conheço bem as consequências de um casamento desfeito na vida de um filho e posso imaginar na vida do casal. E eu sempre busco em Deus a orientação para eu me tornar a cada dia a esposa que meu marido precisa ter. E oro para que Deus o faça ser o marido que eu preciso. E assim Deus tem respondido há 9 anos, com coisas grandiosas e outras quase imperceptíveis se não estiver bem atenta. As arestas que Deus apara para me aperfeiçoar às vezes me doem, controlar a língua me dói, não ser orgulhosa me dói, aceitar uma decisão que não me agrada por confiar na liderança do meu marido também me dói. Parece uma visão pesada do casamento, mas ela é verdadeira, pelo menos na minha realidade. As pessoas só são 100% felizes, 100% do tempo e sem problemas nas fotos do Facebook, inclusive eu mesma. Não vou postar foto de discussão aqui de casa, mas a vida real é mais que isso.

A parte boa é que a cada ano o meu amor pelo casamento, pelo meu casamento e pelo Deus que teve essa brilhante ideia, só aumentam. Que alegria é andar de mãos dadas com o seu parceiro da vida ou dividir as mãos para segurar os filhos dessa parceria; dividir uma taça de vinho num restaurante sinistro ou na cozinha de casa comendo pão de forma com mussarela; rir daquela indireta que a toalha está em cima da cama. É uma alegria poder construir a vida com o grande amor. Qualquer investimento sempre vai valer à pena, para mim, o retorno é certo.

9 anos muito felizes e abençoados, com algumas dificuldades como todo casamento, mas com a visível mão de Deus nos sustentando em todo o tempo. Sou defensora, uma romântica, mas sei que casamento merece dedicação, esforço, zelo e cuidado das duas partes. Sigo fazendo a minha parte e orando para que meu marido continue fazendo a dele.

Eu torci

Há 13 anos, eu torcia para que a galera decidisse logo o que íamos fazer naquela noite de 6a feira em Foz do Iguaçu. Decidimos entrar numa boate, mas tinha uma fila enorme e quando estávamos quase desistindo, o garoto que eu queria ficar naquela noite tinha mandado alguma letrinha para a moça da portaria, dizendo que era nossa última noite na cidade e a gente era do rio e queria muito conhecer o lugar. Ox, era o nome do lugar, se não me engano. A moça caiu no papinho e furamos a fila inteira. (Não muito politicamente correto). Queria muito entrar naquele lugar, porque se a gente fosse a um barzinho não ia rolar nada, eu já tinha dado várias indiretas, proporcionado várias situações, mas nada até ali. Então, a ultima chance seria aquela boate.

Entramos e demorou muuuito tempo para que o tal garoto chegasse para conversar comigo. E, isso só aconteceu quando eu decidi ir até o bar do lugar sozinha e falei para minha amiga não vir comigo, pois assim facilitaria para o tal menino tomar uma atitude. Fato que ele lerdou bastante, já estava quase desistindo quando ele veio ao meu encontro e a gente ficou. F-I-N-A-L-M-E-N-T-E!! Pra alguém tão cheio de atitude nem combina tanta lerdice, mas foi assim.

Esse foi o dia do primeiro beijo, no dia seguinte fomos junto com a galera fazer o passeio pelas Cataratas, pelo parque e voltamos de Foz até o Rio juntos no ônibus. Foi fofo! Bem fofo! Eu com aquele esmalte escuro descascado até a metade da unha e ele com uma regata independente da temperatura que estava fazendo.

Lembro perfeitamente que eu vim boa parte da viagem pensando como eu ia fazer quando voltássemos, porque eu estava curtindo nós dois, uma parada que no início eu achei uma forçação da parte dele, tinha tudo a ver comigo, eu estava achando divertido, gostando da companhia. Mas me despedi quando chegamos como se pouco tivesse me importando, mas por dentro minha torcida era que continuássemos.

Deu certo a torcida, deu certo a maluquice que eu já contei aqui, porque continuamos até hoje. 13 anos depois daquele primeiro beijo, continuo curtindo nós dois, me divertindo e confirmando que ele é minha melhor companhia.  Até hoje digo para ele: “se tu imaginasse que aquela viagem de zoeira ia te render uma mulher e dois filhos….”

Feliz por construir minha família com um cara que é infinitamente melhor marido do que namorado, que não usa mais regatas no frio sinistro, mas que de vez em quando ainda convive com um esmalte descascado.

 

Casamento é todo dia

Fui a um casamento no sábado e fico feliz em casamentos, porque acredito nele e tudo de bom que ele nos traz. Sempre brinco com meu marido, perguntando se ele quer casar de novo comigo. Dessa vez ele respondeu que se casa comigo todo dia, quando ele está tomando o café da manhã em pé enquanto eu preparo o leite do Davi, ou quando ele está pondo a roupa no Davi enquanto eu me arrumo, ou poderia extrapolar para mil outras situações como  enquanto tentamos conversar e o Davi vem lutar com a gente ou mostrar o que o Transformers Optimus Prime (nem sei se é assim) fez.

A resposta dele foi uma zoação mas entendi como uma declaração de amor, porque de fato a realidade do casamento é essa aí. Tem que decidir, racionalmente, se manter casada e investindo e se esforçando para dar certo sem que a rotina nos atropele. Em meio a todas interferências, positivas e às vezes nem tanto, é que nos mantemos juntos. Os filhos são uma grande bênção de Deus, do mesmo Deus que inventou o casamento, mas é fato que eles atropelam o casal. Senti isso ainda mais com o nascimento do segundo filho. Tudo nessa vida são fases que quando passam dão alívio e saudade, mas enquanto elas não passam é cansativo.

Eu gostaria muito de repetir o dia do casamento em si, acho que foi o dia mais especial a minha vida, um dia mágico, bonito, um dia para comemorar e relembrar sempre. Mas a maioria dos casais decide se casar pensando somente neste dia. Por um lado, compreensível, mas com o passar dos anos não há a mesma dedicação de ambos em manter o relacionamento em meio aos problemas com o mesmo esforço que eles tiveram para fazer uma mega festa. Para realizar a festa, há negociação, há flexibilidade, persistência e doação de tempo e dinheiro para que tudo dê certo. No dia a dia, nem sempre. Não que isso seja fácil, mas tem que tentar. Diariamente.

Durante a festa do fim de semana, sem a variável “rotina” mudando nossos comportamentos, pude resgatar o quanto somos mais leves, o quanto ainda nos divertimos juntos e rimos. É uma alegria e gratidão a Deus poder constatar, 8 anos depois, que eu faria exatamente a mesma escolha. E minha oração diária é que Deus continue nos guardando e permitindo que a gente siga vivendo todas as lindas e difíceis fases que virão, juntos. Às vezes emburrados, às vezes com saudade mesmo morando na mesma casa, às vezes rindo, às vezes cansados, mas espero que sempre felizes e juntos.

8 anos

IMG_2239.JPG8 anos…

…ouvindo ele dizer que eu sempre reclamo de tudo e eu dizendo que ele nunca me entende

…dizendo que ele trabalha muito e me orgulhando do executivo que ele é

… insistindo para ele comer um doce comigo

…vendo ele alcançar praticamente todos os objetivos que traçou

…me inspirando em alguém que, diferente de mim, tem prazer no esporte

…dividindo a vida com alguém tão diferente e tão parecido comigo

….rindo e brigando e ficando de mal como se tivéssemos 5 anos

…perdendo a paciência juntos com quem é prolixo

…largando a toalha molhada em cima da cama, ele guardando e eu dizendo que só não guardei porque ainda não acabei de usar

…ouvindo ele reclamar que eu sempre deixo uma quantidade ridícula de leite na caixa

…tentando convencê-lo a comer outra coisa que não fosse bisnaguinha e toddy no café da manhã, enfim mudou

…vendo ele chorar quase nunca e eu numa frequência semanal talvez

…servindo ao mesmo Deus

…avisando ao servir o jantar que a comida ficou meio sem sal

…tendo nele alguém que acredita em mim

…orando para que Deus nos preserve

…vendo o cabelo dele ficar cada vez mais grisalho

…tentando ser uma mulher virtuosa

…construindo uma família que tanto me alegra o coração

…tendo a certeza que vale à pena investir no casamento

…vivendo o melhor plano de Deus para mim

…sendo feliz com o amor da minha vida, feito por Deus especialmente para mim.

Obrigada, Deus!

loveusNo último sábado, eu e Diego fomos conversar com os jovens da Igreja que a minha sogra frequenta. Fomos dar um testemunho, contar a eles como foi o nosso namoro, o que Deus fez nas nossas vidas e que é sempre tempo para se acertar com Deus e obedecê-lo. Independente de quão errados nós estamos.

E depois conversando sobre como tinha sido, chegamos a conclusão de como relembrar isso publicamente nos faz bem, sabe o “trazer à memória o que nos dá esperança?” Bem isso! Nosso namoro foi todo equivocado, muita briga, traições e muito, muito longe do que Deus espera de um relacionamento. Mas posso dizer que dos 4,5 anos, os últimos 6 meses foram os melhores, quando confessamos tudo o que havia de errado entre nós e decidimos ter um relacionamento seguindo o que acreditamos ser o melhor, que é seguir o padrão que Deus deixou para ser seguido. De forma bem resumida foi mais ou menos isso que aconteceu.

Às vésperas do Dia de Ação de Graças, posso dizer que esse é um dos meus maiores motivos de gratidão a Deus. Acho que depois da salvação, esse é o maior mesmo. O que ele fez comigo e com o Diego, porque tudo o que temos hoje é consequência dessa transformação que houve conosco. Um casamento de quase 8 anos, um casamento feliz, com problemas e arestas a acertar como todo relacionamento. Um lar que eu gosto de estar, de cuidar, construído num apartamento na rua que eu sempre quis morar em SP. Uma vida confortável financeiramente e mais do que tudo isso junto, dois filhos lindos, perfeitos, saudáveis, provas vivas do amor e da misericórdia desse Deus por nós dois. Contando a história, lembrei dos nossos amigos que oraram tanto por mim e comigo, os do Rio e os de Campina Grande, instrumentos de Deus para nos abençoar. Deus sempre me cerca de pessoas especiais.

Eu amo ser casada, eu amo me dedicar à família que construímos, a ensinar meus filhos e espero (e oro) para que eles conheçam o Deus que eu demorei tanto para conhecer verdadeiramente. Meu coração é grato por muitas e muitas coisas, por todas as coisas na verdade, mas minha família nunca me deixará esquecer que Deus é fiel e nenhum plano dEle se frustra, ainda que nos esforcemos para isso.

Obrigada Deus pela salvação em Cristo e por ter separado para mim a história de amor que eu mais gosto!