Uma nova chance

ano novoA chegada de um novo ano traz tanta expectativa para gente, é só mais um recorte de tempo, mas é como se fosse uma nova chance. Vai chegando dezembro e a gente vai desistindo, se entregando e postergando todos os objetivos e possíveis conquistas para o ano que virá.

É uma nova chance de emplacar uma vida de hábitos saudáveis, de regularidade das atividades físicas, de manter a disciplina de uma devocional diária, da leitura frequente da Bíblia e orações constantes. Uma nova chance de mudar aquilo que nos desagrada no nosso próprio comportamento, reclamar menos, ser mais paciente e amorosa, ser mais sábia e mais presente na vida daqueles que são queridos. Uma outra chance para desengavetar aquele sonho que entra ano e sai ano e ele permanece do mesmo jeito, um sonho distante. Chance para buscar novas oportunidades, alternativas de vida. Uma chance de deixar a nossa casa ainda mais agradável, mais organizada, mais funcional, mais a nossa cara. A milésima chance de ser mais planejada e conseguir viajar mais.

Mas, infelizmente, só escrever as metas no papel em nada adianta. As minhas eu já escrevi mais ou menos. Rascunhei na verdade, algumas são as mesmas do ano passado, do ano retrasado. Para alcançá-las é preciso disciplina e não somente a empolgação, que apesar de não ser decisiva, essa empolgação é importante para a gente sair da inércia. Tão importante quanto o que quero alcançar é o que vou fazer para que esses objetivos saiam do meu bloco de notas e virem conquistas reais. É preciso definir o objetivo, mas o como concretizá-lo também. E perseverar, não desistir, o que sem dúvida para mim é o mais difícil.

É um recorte de 1 ano, com 12 meses, 52 semanas e 365 dias. Muitas e muitas novas chances de fazer dar certo, sejam quais forem as metas, os desejos e sonhos estabelecidos para esse novo tempo.

Foi assim

Tive um ano muito diferente e hoje fazendo um exercício de inglês onde a professora perguntou o que eu achava que não devia ter feito em 2017, não soube responder. Não houve nada de que eu me arrependesse. Ainda bem.

Comecei o ano com o susto do Davi tomando oito pontos na sobrancelha e Deus me mostrando que Ele continua sendo Deus em qualquer situação. Um ano onde o meu desejo de parar de trabalhar, pelo menos onde eu estava, se realizou. Em março, o que pode ser o terror para muitos, para mim foi o alívio e a conclusão de um processo que para mim estava mais doloroso do que benéfico, que era o equilíbrio entre a maternidade e as exigências que o mundo corporativo nos faz. Graças a Deus isso foi possível financeiramente. Foi um ano de mais dedicação aos trabalhos da Igreja, mais tempo disponível e com mais qualidade com as crianças. O feito do Iron Man pelo Diego e essa experiência incrível para a nossa família. Uma filha que desenvolveu a fala e um filho alfabetizado. Sucesso! A descoberta da labirintite e da intolerância à lactose. Já nem tanto sucesso assim. Li muitos, muitos livros. Voltei a estudar inglês. Consegui ver meu pai muitas vezes, apesar da distância. Um ano de oração por uma amiga querida, uma outra amiga grávida como resposta a outras orações realizadas. Um sobrinha linda e amada que chegou a minha vida no finalzinho do ano. Claro que é impossível passar um ano sem se decepcionar com algo ou alguém, ou até mesmo decepcionar outras pessoas. Sem chorar, sem se desentender, sem perder a paciência. Aconteceu comigo também, é claro.

Mas sobretudo foi um ano de paz. Me livrei de uma angústia, de um peso que sentia sobre mim desde que o Davi nasceu. Foi um ano em que fui feliz sem pagar um preço excessivamente alto para isso. Um ano que trouxe muita leveza ao meu coração.

Sonhos para 2018, incertezas também. Mas espero, em Deus, que dê tudo certo.

 

Eu sou evangélica

Eu sou evangélica, crente, cristã, sou presbiteriana. Desde 2004, vivo uma vida nova, desde que conheci Cristo verdadeiramente. Vou à Igreja todos os domingos, de manhã e à noite. Frequento estudos bíblicos semanalmente, dou dízimo todo mês, me envolvo em diversas atividades na Igreja que exigem meu tempo e habilidades que até duvido que eu realmente tenha. Fui batizada e fiz profissão de fé, ainda que já tivesse sido batizada e feito primeira comunhão na Igreja Católica. Me casei na Igreja Presbiteriana. Meu filho vai à Igreja e aos estudos comigo desde que estava liberado para sair. Aliás, esse foi o primeiro lugar que fomos juntos depois dos dias em casa pós nascimento. 80% das musiquinhas que ele canta são as que ele aprende na Igreja, ele ora antes dormir e antes de comer às vezes também. Foi batizado na Presbiteriana e é ali que pretendo criá-lo e educá-lo. Como em muitas outras áreas da vida, nós escolhemos isso para ele e minha oração diária é para que Davi se torne um cara crente de verdade.

Acredito na Bíblia e, sendo bem lógica, tudo o que vai contra o que está escrito ali não faz parte da minha crença, do que creio ser o melhor, o padrão a ser seguido. Minha luta é seguir esse padrão, que não é fácil, pelo contrário, mas não me dói. Ninguém me obrigou, ninguém me convenceu de que esse era o certo, porque não funciona assim. Foi um encontro pessoal, eu e Deus, assim foi que aconteceu em junho daquele ano de 2004. Entendi as coisas através dEle e depois muitas pessoas foram testemunhando de que essa escolha valia à pena. Ser crente não me faz absolutamente melhor que ninguém, mas da mesma forma não me faz uma aberração, uma alienada, uma lunática que não sabe o que se passa no mundo. Não compartilho da maneira que muitos líderes demonstram seus valores, que muitos cristãos se comportam, mas de uns tempos para cá parece que generalizaram tudo. Parece que todo crente é homofóbico, ladrão, cujo objetivo de vida é extorquir e enganar inocentes, uma massa que não raciocina e não desenvolve. Gente com esse perfil existe em todas as classes, segmentos, religiões ou qualquer outra divisão que seja feita. Não me ponham nesse mesmo balaio, por favor.

Acredito que Deus é amor sim, mas Ele também é muitas outras coisas. Acredito que família é mãe, pai e filhos, se assim Ele quiser. Acredito que o sexo é para depois do casamento, porque se creio que meu marido foi escolhido por Deus, Ele jamais escolheria alguém que não combina comigo sexualmente. Acredito no casamento, monogâmico, e que homens e mulheres devem sim lutar pela preservação dele. Nada disso é fácil, mas até a possibilidade de tentar já é esculachada atualmente. Eu vivi isso, revi muitas coisas na minha conduta para fazer o que acho certo e nunca me arrependi, sou prova de que é possível.

Conhecer Deus pessoalmente, ter intimidade, alegria em tudo aquilo que diz respeito a Ele não é fator excludente para ser uma mulher bem sucedida, que pensa, enfim, normal. Falta de respeito, intolerância e agressão gratuita me envergonham quando feitas por pessoas que se dizem cristãs, mais do que se fossem feitas por pessoas que não são cristãs. Isso não faz o menor sentido, não condiz com o que cremos. Mas me machucam também quando eu sou o alvo de atitudes intolerantes e grosseiras, daqueles que estão colocando o mesmo rótulo em pessoas e posturas que são tão diferentes.

Com as redes sociais fica mais rápido e fácil ver como as pessoas se manifestam em relação aos fatos, isso tem me trazido algumas decepções, mas no Facebook é fácil resolver, simplesmente paro de enxergar o que tal pessoa diz ou pensa. Inúmeras vezes já fiz isso, continuarei fazendo e provavelmente já fizeram comigo, normal. Mas na vida real não é tão simples….

Queria não me sentir ofendida com isso, mas me sinto em muitos e muitos momentos. Minha vontade é responder a altura às ofensas, às posturas tão contrárias aos meus pensamentos. Mas isso não dá certo quando o meio de comunicação são as redes sociais. Fiz isso uma única vez e me arrependi profundamente, fica parecendo apenas uma disputa sobre quem tem razão e quem melhor argumentar, vencerá ao final. É muito mais que isso, e por esse motivo, guardo para mim minha indignação e converso com quem compartilha dos meus valores.

Disposta a dizer em que eu acredito sempre estarei, na verdade isso é um dever meu. Mas sempre que me parece um cabo de guerra, eu vazo literalmente. E feliz porque a vida é mais fácil, plena, com um sentido verdadeiro tendo Deus no centro dela, mas triste porque tem uma galera que não está entendendo nada e parece cada vez mais longe de entender.

Muito além de fotos

IMG_1102A coisa mais fácil do mundo hoje é tirar fotos, rápido e com uma qualidade aceitável. Uma viagem gera trocentas fotos tiradas e pouquíssimas impressas. Desde que Davi nasceu tenho me policiado para imprimir algumas.

Eu não tenho muita paciência para tirar foto, para mim não precisa todo mundo que está no grupo aparecer, nem tirar de todos os ângulos que o lugar oferece. Em viagens tiro bastante, porque realmente são necessárias, mas ainda assim, bem menos que a média.

Mas quando a gente viaja, as fotos não conseguem captar o que uma viagem realmente significa. Foto não consegue captar cheiro. O cheiro com uma mistura de cigarro e perfume forte, de árvores diferentes, de comidas com outros temperos e ás vezes cheiro ruim mesmo. Não conheço muitas cidades da Europa, mas pra mim, as que eu conheci têm um cheiro diferente. Isso me marcou nos lugares que conheci.

As fotos não conseguem registrar a sensação que é ver um monte gigante coberto de neve, nem a decepção de ver um ponto turístico famoso que ao vivo é muito sem graça. Não registram o gosto de tudo que experimentamos. Não registram o que vemos nos museus, e em especial nessa viagem, só meus ouvidos registraram a simulação de um debate sobre predestinação entre Calvino e outros caras da Reforma, em volta de uma mesa de jantar.

Nenhuma foto mostra a diversão que é a tentativa de comunicação, em sua maioria em inglês, com raras palavras em francês e sempre algumas em português que escapavam e tornavam esses momentos ainda mais divertidos.

O que vale é o que ficou na minha mente, no meu coração, o que ouvi , vivi e experimentei. A intimidade e cumplicidade da minha família aumentadas e mais histórias que juntos teremos para contar.

Foram 10 dias percorrendo o sul da França de carro. Davi nem sabe, mas ele viveu dias incríveis. Mostrarei as fotos um dia e contarei com riqueza de detalhes que foi lá que ele conheceu a neve, junto com o papai e a mamãe. E que muito antes de mim, ele vai saber o quão sensacional é viajar.

Sobre BBB

Não assisto Big Brother,  não porque o programa seja fútil, mas porque me enchi um pouco desse formato e acho que tudo ficou meio forçado. E tento evitar assistir coisas que vão me escravizar depois. Quase como um viciado, melhor não dar o primeiro gole. Já assisti muito, já até chorei com pessoas que foram eliminadas e votei pela internet.

Sinceramente, não assisto quase nada culto na TV, que realmente agregue valor. Assisto esses programas matinais com receitas e discussões sobre amenidades, novela das 6 e das 7, alguns programas de beleza, maternidade e afins no GNT. Acho que o mais intelectual que vejo é o Jornal Hoje, que nem pode ser chamado de intelectual na verdade, às vezes os apresentadores parecem que sairam do elenco de Zorra Total.

Em tempos de Facebook as pessoas gostam de comentar, dar opiniões e às vezes parecer o que não são. Então, com o início do BBB surgem mil pessoas criticando, reclamando e atirando pedras nos “ignorantes” que assistem. Ai, dá um tempo!!! Eu vivo no Facebook e perco horas lendo coisas inúteis na internet, exatamente da mesma maneira que esses “cultos” que não assistem BBB mas não sabem usar crase, assistem novela, leem globo.com e notícias do tipo “Fulana mostra celulite na praia” e fuça o Facebook até o último nível para espiar a vida alheia.

Big Brother realmente não agrega nada, tenho vergonha do Pedro Bial, as pessoas são forçadas e o programa, no fundo, é ridículo. Mas quem era viciada em Avenida Brasil, em Facebook, não sabe nada sobre política e o que está acontecendo no mundo, não lê um jornal como eu, não pode criticar quem vê Big Broher.

Não tenho paciência com esses discursos pseudo qualquer coisa.

 

Uma noite de samba

A música me faz um bem enorme, é minha companheira em muitos momentos e na última 6ª feira ela foi, mais uma vez, a responsável por momentos de muita diversão, onde pude extravasar todos os pensamentos que andam me enchendo a paciência e por quase 2 horas e meia eu não pensei em nada, só cantei, dancei e ri com o meu marido.

Fomos ao show do Casuarina, um grupo de samba carioca que eu conheci há muito tempo atrás e que fizeram um show aqui em SP. Diego não tem a mesma relação que eu tenho com a música, muito menos com samba, mas foi ao show comigo e se divertiu muito mais do que eu podia imaginar. Algumas músicas ele já conhecia, pois se eu vejo o DVD ele também vê aqui em casa, e como o show era de lançamento do CD novo, eu comprei o CD e fazia ele ouvir comigo no carro, daí ele iria conhecer mais músicas no show. Confesso que foi uma boa estratégia e que funcionou. Sem contar que os caras do Casuarina são jovens, divertidos e mandam muito bem, o que ajudou o Diego a se divertir. Eu não só me diverti, mas como dancei bastante e cantei bem alto, com as mãozinhas pra cima nas minhas músicas preferidas.

É bom dançar, cantar as letras que às vezes se parecem tanto com a gente que é como se nós mesmos as tivéssemos escrito. É bom rir das letras engraçadas, as letras de amor, as de dor de cotovelo e até mesmo as que não fazem sentido nenhum, mas o ritmo é o suficiente. Aliás, basta batucar num surdo e tocar um cavaquinho que meus pés já ficam balançando…

Há muito tempo não fazia uma coisa que eu gostava tanto, que eu fizesse sentir jovem, leve depois, mesmo com os pés destruídos. Fomos dormir muito tarde, tivemos que acordar cedo no sábado e passei o dia meio grogue de sono, como era quando eu tinha uns 20 anos. Isso também me fez bem.

Os próximos que já têm data na agenda: Chico em março e Los Hermanos em maio. Los Hermanos o Diego vai gostar, mas Chico acho que ele é capaz de cochilar na mesa.

Prefiro assim

Mesmo sendo engenheira e tendo uma formação voltada para aquilo que é lógico e exato, sempre me irritei com professores que eram excelentes em derivadas, integrais e cálculos bem complexos, mas tinham o português muito aquém das minhas exigências e expectativas. E isso permanece até hoje, tenho literalmente preconceito com quem fala errado e não deveria, com quem escreve errado. Não sou a melhor no assunto, mas me considero bem razoável no quesito comunicação e expressão.

Da mesma forma que o português errado me irrita um pouco, o não saber se comunicar também me irrita. Talvez mais do que o português falado errado. Eu gosto de conversar, gosto muito, gosto de ler e de escrever também, embora esteja lendo muito menos do que eu gostaria e deveria. Eu admiro quem sabe se expressar, quem comunica aquilo que pensa de forma clara, simples e principalmente, objetiva. Admiro quem consegue prender a minha atenção e me transmitir uma mensagem. Tenho paciência zero, ou melhor, negativa, com quem é prolixo, com quem dá milhões de exemplos para explicar o óbvio e com quem dá detalhes que não vão agregar nada na conversa. O mesmo nível de paciência, o nível zero, é para muitas perguntas, há perguntas repetitivas e desnecessárias. Se perguntou, presta atenção na resposta, para não ter que perguntar a mesma coisa, mais de uma vez. E outra, e muito mais importante, só pergunte aquilo que realmente interessa e que a reposta vai fazer diferença para o entendimento da conversa. Existem perguntas curiosas, só para fofocar um pouco, para não ficar por fora, são válidas. Super válidas. Mas, às vezes, não precisa perguntar tudo, dá para entender só pelo contexto.

Semana passada, foi um pastor que não conhecia lá na Igreja, com uma maneira de pregar totalmente diferente dos pastores que estamos acostumados, ele era meio filósofo, com um jeito bem diferente que eu gostei, mas na minha análise pensei: “Nem todos devem estar gostando desse estilo” e depois perguntando aos amigos confirmei que fazia sentido minha análise. Mas é esse exercício que eu gosto, de prestar atenção na forma, de criticar, e concluir que é bom ou ruim,  e mesmo sendo bom pode não ser o meu estilo preferido.

Nem sempre consigo me fazer entender, nem sempre consigo controlar minha grosseria, nem a ironia, nem a falta de paciência. Tento, é difícil, mas ainda assim continuo tentando. Mas me ajudem, conversem, de preferência com poucas monossílabas, com bom humor, com objetividade e com aquilo que realmente vai fazer alguma diferença. Respondam, perguntem, compartilhem, reajam, preferencialmente, do jeito que eu gosto. Sou mimada mesmo, confesso.