Minha menina

Realmente está confirmado que serei mãe de uma menina. Sempre esteve, só para mim não estava, o medinho de ser mãe de menina estava alimentando uma mini esperança de que fosse outro menino. Mas dessa vez, até eu consegui entender pela ultra que se tratava de um bebê do sexo feminino.

Nunca sonhei em ser mãe de menina, se for buscar nos sonhos mesmo, nunca tive sonho de ser mãe. A maternidade seria consequência de um outro sonho, o casamento. Com o casamento sempre sonhei, muitas vezes antes de dormir ficava imaginando como seria o dia, o pedido do namorado. Sempre soube que seria mãe um dia, mas isso é diferente de sonho.

Quando decidimos que estava na hora de ter filhos, aí sim tinha um desejo: ter um menino. Sempre quis que meu primeiro filho fosse homem, mas isso não tem nada a ver com o fato de que caso eu tivesse um casal um dia, seria mais interessante o mais velho ser homem, porque acho isso bem bobagem e um machismo sem justificativa. Era simplesmente porque queria começar pelo o que se parecia mais comigo, com o que eu achava mais legal e mais fácil, e na possibilidade de ter um só, estaria garantido o desejo realizado. Mulheres são complicadas.

Ouvi inúmeras vezes que eu não tenho cara de mãe de menina. Nem tem como ficar brava, porque eu concordo. Eu não sou uma pessoa vaidosa, naturalmente ligada à aparência, o que gera em mim uma preocupação sobre o assunto justamente por não ser algo natural em mim. Sou sempre a divertida da história e não uma pessoa fofinha, delicada, ícone de feminilidade do grupo. Chique muito menos. Essa parte mulherzinha (no bom sentido) de ser mulher não é muito o meu forte.  A única parte mais mulherzinha minha é sensibilidade, me acho uma pessoa sensível, não necessariamente sinônimo de chorona, mas na maioria das vezes pode ser isso mesmo! Tenho uma percepção de ambiente e facilidade de fazer uma leitura das pessoas que é mais comum às mulheres e acho que é só isso mesmo. Por isso que tenho cara de mãe de menino. Zero paciência com mimimi de mulher, tolerância baixíssima ao excesso de rosa e lilás. E nenhuma tolerância com princesas (isso acho que não vai ter muito como escapar).

Freud talvez explicasse um pouco, minha influência na adolescência foi muito mais masculina, já que eu morava com meu pai. Nunca achei que o cara era um safado-sem vergonha só porque não tinha me ligado na primeira hora dia seguinte ao que tínhamos nos conhecido, sempre achei que de repente ele ainda não tinha acordado ou estava fazendo outras coisas. Nunca tive tantas neuras de menina. Depois, fiz engenharia onde o universo masculino é predominante, numa universidade federal onde não dá para ter muita frescura mesmo.

Irei conhecer um novo mundo, o mundo de uma menina. Quero que a gente seja bem amiga, mas isso eu também quero em relação ao Davi. Na verdade, quero que eles sejam grandes amigos, porque acho que isso seria mais fácil se fossem dois do mesmo sexo, mas me esforçarei para que eles formem uma boa dupla. Os filhos nos fazem pessoas melhores, mulheres melhores, mas ter uma outra menina em casa pode me ajudar com uma parte que não é tão bem resolvida para mim.

Mas ser mãe é ser mãe e ponto. Seja de um menino ou uma menina. Ter um casal me exigirá desenvolver mais habilidades do que se eu tivesse dois homens, provavelmente. Mas ser mãe de dois exige mais, independente do sexo, simplesmente pelo fato de serem duas pessoas completamente diferentes. Depois de muito pensar achei generoso da parte de Deus me dar essa experiência. Ainda me acostumando com a ideia e tentando achar um quarto que fuja do rosinha enjoado e muito curiosa para saber como será.

O maneiro da maternidade

DSC06731Sou mãe de um menino de 2 anos e 8 meses, uma oração respondida em forma de criança, porque 99% do que pedi, Deus respondeu. Nasceu de cesárea, mamou exclusivamente até os 6 meses e depois até os 10. Come legumes e vegetais não orgânicos, nunca tomou refri, mas às vezes rola um suco de caixinha. Na minha casa não tem biscoito recheado, nem pirulitos, nem chocolates disponíveis para ele. Mas ele come em ocasiões específicas e gosta muito de doce. Trabalho fora e desde os 6 meses ele passa quase 12 horas na escolinha, nem sabe como é a vida diferente disso. Já tomou antibiótico, ainda não completamos o desfralde e ainda toma mamadeira. Não compartilho cama, porque acho isso surreal do ponto de vista do casamento. Se amo meu filho, para o bem dele o meu casamento precisa ser preservado, e para mim, isso inclui ter minha cama só para mim e meu marido. Mas há madrugadas em que ele aparece no quarto e por mal conseguir abrir o olho, deixo ele lá no meio da gente mesmo. Uma criança simpática, mas às vezes anti social que não fala com ninguém. Esperto, com umas malcriações que me tiram completamente do sério em casa, me fazendo ter um comportamento de uma pessoa louca. Muito amado, cuidado, e disciplinado com chinelo quando necessário.

A maternidade é muito mais que isso, mas as pessoas parecem ter apenas esses parâmetros para conversar, comparar e tomar decisões. Nenhuma dessas escolhas acima me fazem uma mãe melhor, mas dentro da rotina da minha casa e do que acho possível realizar foram as minhas opções. E estou satisfeita com elas, tem dado certo esse modelo e no dia que não for mais possível sustentá-lo, eu mudo. Acho incrível as discussões em torno disso tudo, muitas conquistas, muitas mulheres com mais esclarecimento (inclusive eu) e muitas crianças melhor cuidadas. Mas continuo achando que isso não é o mais relevante, quando as pessoas ficam escravas de padrões estabelecidos por outros. No começo eu tentei segui-los, mas depois entendi que não era assim que funcionava, pelo menos para mim.

Sempre fico pensativa no dia das mães, sobre a minha maternidade, meio que uma auto avaliação, fico dando voltas sobre esse tema na minha cabeça. E o mais maneiro do dia das mães é poder comemorar esse dia sendo a protagonista da homenagem, não só nesse dia, mas em todos. O mais maneiro é ser mãe diariamente. O mais maneiro é ter coisas que seu filho diz que só você entende, é ver as pessoas chegando a conclusões a respeito das atitudes dele e saber que aquilo não faz o menor sentido, e deixar a pessoa achar que realmente está colaborando com algo. É concordar quando dizem “Ele está com sono”, sabendo que o garoto dormiu a tarde inteira e que ele não está com sono; ele tem cara de sono, o que é bem diferente. É rir sozinha com ele em casa das tiradas hilárias e brincar todo dia da mesma coisa e fazer tudo exatamente igual.

É muito difícil exercer a maternidade em tempo integral, porque mesmo trabalho fora, ela é integral. É cansativo demais. No meu caso, não abri mão de nenhuma outra função, só ganhei mais uma, a de ser mãe do Davi. Um dia, quem sabe, isso será de outro jeito. E isso me deu uma capacidade de enxergar a vida por um outro ângulo, de descobrir que eu sou capaz de algo além, de buscar formas de otimizar meu tempo e organizar, minimamente, a minha vida. Renunciar é um verbo bastante conjugado, culpa muitas vezes carregada, mas disposição em fazer o melhor. Por isso, qualquer crítica nessa área, para mim, dói muito e são quase inaceitáveis. Dicas e sugestões são aceitas, tenho um filtro absurdo para isso, mas continuo aceitando desde que a lei do bom senso seja mantida. Não verbalizo minhas críticas a nenhuma mãe, porque se elas forem iguais a mim, vai doer. O contrário também é válido: um elogio ao filho ou a qualquer conduta como mãe, nos dão uma alegria verdadeira.

Tenho orgulho de ser mãe, independente dos meus acertos e erros. Sendo bem sincera, no fundo eu me acho por ser mãe, tenho alegria de andar com meu filho na rua e as pessoas sorrirem ao olhar para ele. Não faço a menor ideia de como será com dois, temo um pouco a nova rotina que se estabelecerá muito em breve, mas tenho uma gratidão infinita por Deus ter me permitido viver essa experiência indescritível mais uma vez. E aguardo ansiosamente esse recomeço.

Como será?

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Como vai ser dar banho no Davi quando minha barriga estiver enorme?

O que eu vou responder quando ele pedir “Mamãe, colo” e não der mais para carregar?

Como vai ser estar caindo de sono, mais do que atualmente, e o Davi me chamar para brincar?

Será que esse segundo vai ser tranquilo como o Davi? Mamar bem, dormir direitinho?

E se ele for totalmente diferente? Por enquanto eu só sei ser mãe do Davi.

E se o Davi tiver ciúmes?

Como vai caber mais amor em mim?

E se for uma menina? Como faz com menina, gente?

E quando eu estiver na maternidade e o Davi não estiver comigo? Como ele vai ficar?

Como que vai ser trabalhar?

Como conseguir se dividir sem que o mais velho se sinta preterido?

Como encontrar tempo para continuar sendo uma esposa interessante com um recém-nascido e um menino de 3 anos?

E se for tudo muito diferente da primeira vez?

Como vai ser tudo quando eu estiver com os dois aqui do lado de fora?

Pela primeira vez, me sentindo grávida

Hoje acordei me sentindo realmente grávida, pela primeira vez acho. Foi tudo tão rápido que esta sendo mais difícil assimilar que no final do ano serei mãe de duas crianças. Planejei, mas no meu plano ia demorar um pouco mais.

Todas que têm mais de um filho dizem que a barriga do segundo cresce mais e mais rápido. Se a minha crescer mais do que cresceu na gravidez do Davi, meu parto não será nem cesárea nem normal, será tipo uma explosão. Com 40 semanas minha barriga vai explodir e o bebê vai nascer. Simples assim. Porque fiquei com uma barriga bem grandinha, aliás eu fiquei toda grandinha, essa é a verdade.

E hoje me senti de fato grávida porque a lenda de que cresce mais rápido não é lenda. Já tenho uma barriga, aquela que deixa a gente meio no limbo, gerando aquela dúvida de gravidez ou mulher fora de forma. Quando fui vestir a calça para trabalhar fiquei mentalmente torcendo: “Fecha, fecha, fecha”. Porque no início da semana tentei uma que não fechou. E isso significa ter que pensar em outra roupa para ir, o que não é um processo tããão rápido.

Aquele andar de pata começa a reaparecer, um sono infinito, que quando dá 20:30h da noite me sinto quase dopada, como se fosse 3h da manhã. E andando rápido pela rua, o cansaço e a respiração ofegante logo me alcançam. Mas dessa vez, não engordarei os 20kg, primeiro porque não estou me comportando como uma louca e comendo sobremesa em todas as refeições, além disso estou fazendo atividade física e acompanhamento nutricional. Passado o primeiro trimestre, nenhum grama foi adquirido, pelo contrário, perdi.

Ainda não sei o sexo, se for menina talvez a ficha caia logo, porque vou ter que comprar várias roupas, todas. Mudar o quarto. Mas se for menino, está tudo providenciado. Talvez para o menino já temos nome, porque na primeira queria tanto um menino, que só foquei em nome masculino. Se for menina, terei mais trabalho, essa é a verdade.

O fato é que nessa segunda a gravidez não é centro da vida, nem dos pensamentos, ainda. Tenho um menino de 2,5 anos comigo, que exige atenção, que é meu amor e que preenche todos os espaços, não sobrando muito tempo para eu ficar divagando em como será, quando será. Muita coisa eu já sei né? Não há ansiedade para saber como é ser mãe, mesmo sabendo que será diferente, pois se trata de uma outra criança.

O que não mudou? A dependência de Deus em oração pela saúde desse bebê e minha, para que ele seja perfeito e saudável, para que eu e Diego sejamos os pais que Deus espera de nós e agora um componente novo, para que o Davi entenda tudo o que acontecerá e ame esse irmão, que seja uma adaptação tranquila para nós todos. E aquela gratidão por ter sido escolhida para ser mãe desse bebê em especial.

Um frio na barriga em pensar em dois filhos, mas tanta gente dá conta, eu também darei. Só ainda não sei como, mas ainda há tempo. Por enquanto, só curtir a barriga. Estava com saudades dela.

Uma mãe possível

Logo que Davi nasceu, eu participava de alguns grupos de mães virtuais, na ânsia de aprender, de entender como era esse universo tão novo, que me causava receio e angústia e muita vontade de fazer o certo, o melhor. Li várias coisas bacanas, descobri opções e alternativas de outras, vi que outras mulheres tinham tantas ou mais dificuldades que eu. Graças a um grupo desses consegui diagnosticar logo que Davi tinha refluxo e isso ajudou no seu tratamento e na minha calma em entender muitas vezes o seu choro infinito, aparentemente sem motivo.

Mas conforme o tempo foi passando, o “convívio” naqueles grupos começou a me fazer mal. Embora nunca comentasse nada, ler os comentários e as opiniões daquelas mulheres, muitas vezes me fez muito mal. Aumentou meu sentimento de culpa muitas vezes e fez com que eu me sentisse menos mãe por ter tido uma cesárea e não um parto normal, sorte que eu consegui amamentar, do contrário seria ainda menos mãe. Parei de acompanhar todos os grupos. Assim, podia selecionar minha leitura.

Tenho minhas convicções como mãe, algumas foram pelo ralo com a vida real, por exemplo, semana passada tirei uma foto com o papai noel. Eu, Davi e o velhinho por quem tenho até uma antipatia. Fui buscar o Davi na escola e o tal velhinho estava lá, acabei cedendo à foto.  Como essa tenho muitas outras, acho um exagero o que muitas mães fazem, fico me perguntando como elas conseguem viver e manter um ritmo de sufocação em cima de suas crias. Como conseguem gastar tanto comprando tanta roupinha e sapatinhos? Como conseguem dividir suas camas com um ser que é tão pequenino, mas que passa a noite nos chutando? Como conseguem idolatrar seus filhos e abandonar seus maridos? Como conseguem se sentir tão cansadas delegando quase todas as suas funções de mulher?

Mas tenho certeza que estas mesmas mães devem me olhar e pensar: Como pode deixar o filho ir com o mesmo tênis todo dia para escola? Como pode deixar o seu bem precioso por quase 12 horas na escolinha? Como pode deixá-lo sozinho no berço até dormir? Como pode ainda usar fraldas, dormir no berço e tomar mamadeira já com mais de 2 anos? Como pode ter amamentado por só 10 meses?

Li semana passada o depoimento (aqui) de uma mãe fazendo exatamente essa reflexão, de que é uma mãe imperfeita. Eu sou também. Todas somos, pelo simples fato de sermos seres humanos falhos antes de sermos mães. Mas sempre tentamos ser o melhor possível. Tentamos dar o nosso melhor de verdade. A diferença é que o meu melhor é insuficiente aos outros olhos e o melhor dos outros pode ser demais aos meus olhos.

Um grande aprendizado dos grupos virtuais foi guardar para mim minha opinião sobre a maternidade alheia. Só revelo o que acho se for perguntada. Dói ouvir críticas no geral e se a crítica for sobre a nossa forma de ser mãe, dói mais ainda. Por isso me calo e aprendi a ter olhos e ouvidos bem seletivos ao que me dizem com palavras ditas ou escritas, diretas ou indiretas.

O pequeno que dorme

Meu filho desde sempre, com exceção das primeiras semanas de vida, dormiu muito bem. Lembro-me de duas noites quase traumáticas, em que ele não dormiu de jeito nenhum quando era recém nascido. Entrou naquele looping de mamar, fazer cocô, chorar, quase dormir e o dia amanheceu e não dormimos. Chorava ele e eu, ele porque era um bebê e eu porque queria muito dormir. Mas lembro que pensava: isso não vai traumatizar, se não as mulheres não teriam mais de um filho.

Mas isso passou. Tive aqui em casa um bebê tranquilo para dormir e agora uma criança que dorme com a mesma tranquilidade. Busco manter a rotina dos horários durante a semana e fim de semana quando estamos em casa também. Por volta de 20h é hora de dormir. Escovamos o dente, fazemos oração, beijo-abraço-te amo e berço. E ali ele fica, às vezes dorme antes da mamadeira acabar, outras fica “lendo” um livrinho, mas é hora de dormir.

Nunca tive a neura de quando ele está dormindo, o silêncio tem que reinar. Sempre ficou de porta aberta ou encostada e continuávamos conversando e com a TV ligada. Na minha cabeça, achava melhor acostumá-lo assim, a dormir com o barulho que uma casa tem, a dormir com o quarto iluminado se for de dia (isso me disseram na maternidade e achei legal a dica).Ele é tão sossegado para dormir que até hoje troco a fralda dormindo, tiro ele do berço e ele não acorda. Dou outra mamadeira dormindo e ele não acorda. Aos 4 meses, estávamos no reveillon no Rio e pouquinho antes de meia noite fomos ver os fogos, caso ele assustasse voltávamos. Ele foi no canguru dormindo, rolaram os fogos, e ele nada viu. Voltou dormindo. Essa foi demais.

Claro que às vezes ele não quer dormir, ele demora, ele me chama mil vezes lá do quarto dele, mas de uma maneira geral isso nunca foi problema aqui. O principal ponto disso tudo é que isso não é mérito meu. A pessoa ter ou não facilidade para dormir já vem com ela e Deus me deu isso de presente no meu filho. Porque sim, para mim isso é um presente. Quando eu estava grávida, eu pedi isso a Deus: que ele fosse uma criança que dormisse bem. E Deus, numa parada que acho que já supera a bondade, que já acho que é mimo de Pai para filha me deu o Davi que além de tudo, dorme bem. Deus seria Deus, mesmo se não tivesses atendido esse meu pedido. Mas Ele achou que esse presente eu estava apta a receber. O fato é que nisso me dei bem por enquanto.

Desde muito pequenino que eu gosto de admirá-lo enquanto dorme, passo lá para ver se está tudo bem e dou um sorrisinho, e normalmente faço uma oração, rápida, mas com gratidão e pedindo que Deus continue a abençoá-lo. Uma criança dormindo sempre me remete à paz de Deus que excede todo o entendimento. Porque meu filho é uma das mais lindas provas do poder, grandiosidade e amor de Deus por mim. E um filho que dorme bem é a prova de que Deus além de me amar, me mima muito.

Além de tudo, é divertido

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Ser mãe é tudo o que dizem por aí mesmo, é cansativo, é único, é estar sempre alerta, é se desdobrar, é aprender, é desenvolver habilidades que não existiam, é tentar ser diferente, é tudo demais e sempre. Mas o que não tinham me dito, e que foi uma surpresa ótima para mim, é que é uma experiência que nos proporciona momentos bem divertidos. Ser mãe de uma criança de dois anos é divertido sim. Para mim tem sido.

Desde que começou a falar, além de tudo ter se tornado mais fácil, Davi tem me proporcionado momentos hilários. Ou porque ainda não consegue falar as palavras certinhas e solta umas coisas engraçadas ou pela conversa que ele emplaca mesmo, que é o que ocorre na maioria das vezes.

Ele nos chama de mamãe Rafaela ou papai Diego, às vezes. Como se ele tivesse outros pais. Nem sei de onde ele tirou isso, mas rola essa especificação, a qual pai e mãe ele está se referindo. Caras e bocas sempre, de espanto ao encontrar um brinquedo que ele mesmo escondeu, ou de bravinho dando esporro no cachorro que está latindo na rua, ou de nem-sei-o-que quando pergunta onde está qualquer coisa.

E as brincadeiras do tipo viagem total? Ele estava brincando de fazer um bolo com as pecinhas de montar, comeu um pedaço e quando chegou a minha vez, me fez soprar o bolo porque estava quente. Na hora de eu dar uma mordida, o bolo se transformou num avião, saiu voando e nunca mais voltou a ser bolo. Valeu! Quando estou trocando a fralda dele também rola uma viagem dessas, sempre tem um jacaré embaixo da cama. E quando vou iniciar uma amizade com o jacaré, puxando um assunto, ele não está mais lá, ou já dormiu, ou simplesmente não é mais um jacaré. Já é uma aranha ou um “auau”. Valeu (2)!

Ele gosta muito de música, passa o dia andando com o violãozinho ou com qualquer coisa que ele transforma em violão. Domingo saiu da igreja com uma medalha no pescoço, e eu: “Davi, você ganhou uma medalha!” E ele: “Não é medalha, mamãe. É um ‘vilão’.” Já tocando o negócio. Valeu (3)! Ele agora compõe também, sempre com seu violão claro, ele compõe letra e arranjo: “Mamae, vou cantar o carro:  O carro….o carro…o carro…”. E assim ele já deve ter umas 3 dessa, porque já rolou ‘a moto’ e ‘a Peppa’ também. A melhor foi quando outro dia ele me disse para gente cantar a música “Começa” e eu disse que não sabia, que ele me ensinasse então. E ele prontamente atendeu e cantou aquele “Co-me-ça, co-me-ça, co-me-ça” que as crianças falam antes do show começar, no DVD que a gente tem do Palavra Cantada. Ri sozinha em casa com ele.

E assim vamos nos tornando cada vez mais amigos, com mais histórias para contar, com mais lembranças para guardar de um tempo que tem passado rápido demais para o meu gosto.