Sobre auto estima

Semana passada ouvi o trecho de uma mensagem que falava sobre auto estima. Selecionei exatamente por causa do título, porque esse é um tema meio nebuloso para mim, meio mal resolvido e sempre pendente de resoluções.

Ouvi às vésperas de completar mais um aniversário. Inacreditavelmente fiz 37 anos. É inacreditável porque é quase 40 e porque a minha mente não tem essa idade, não me sinto assim. não me sinto como achei que seria quando chegasse aqui. Como me disse uma amiga, a maturidade não está acompanhando a idade cronológica, Não mesmo.

Sou uma pessoa insegura, a respeito do meu físico, do meu intelecto, do que sou capaz de alcançar, de produzir, nos meus relacionamentos, enfim… Insegura e ponto final. Acho que a única área da minha vida em que não sou insegura é na maternidade. Tenho minhas dúvidas, normais, mas não chega a ser uma insegurança. Sempre convivi com esse sentimento, desde que me lembre. Mas disfarço bem, vou tentando resgatar momentos bem sucedidos, momentos em que me senti confiante e vou seguindo em frente.

Mas o que me chamou atenção na mensagem foi uma frase, “Deus não faz rascunho”. Aquilo veio diretamente ao meu coração! É isso. Eu não sou um rascunho. Deus me planejou exatamente assim como sou, fui feita pelo Criador do Universo que dentre as coisas gigantes desse mundo parou para me fazer. E Ele é perfeito, Ele não erra, não se equivoca. Então Ele quis que eu tivesse o cabelo cacheado, que eu fosse a engraçadona e não a elegante e fina. Ele decidiu que eu fosse mais de exatas do que de humanas, então não sou mimimi. Ele me fez inteligente! Ele me deu um olho que eu gosto. Ele na eternidade me fez dessa maneira, com meus defeitos e minhas qualidades. Sou um projeto de Deus e mais que isso, sou filha dEle, sou filha do Rei.

Não vou ser hipócrita em dizer que agora que me conscientizei de que não sou um rascunho, todos os problemas com minha auto estima acabaram e estou me achando a mulher sinistra. Não! Mas agora vou andar com esse ensinamento ecoando na minha mente: eu não sou um rascunho. E certamente isso vai me ajudar a enxergar e conviver com as coisas com uma nova perspectiva.

37 anos e muita gratidão. Deus é fiel e tem sido generoso em me dar demonstrações dessa fidelidade. Alcancei muitas coisas e sou uma uma mulher insegura, mas muito feliz. E rumo aos 40…mas daí é outro assunto…

 

A saudade que habita em mim

A vida me apresentou a saudade quando eu ainda era uma menina, tinha 9 anos quando nos mudávamos de Manaus para o Rio. A família, minhas amiguinhas, a antiga escola despertaram em mim um sentimento que até então não conhecia. Sentia muita falta deles.

Os anos foram passando e durante algum tempo eu namorei um menino que morava em Manaus, nos encontrávamos nas férias e nos falávamos toda semana, alem das cartas (que denunciarão a minha idade, porque naquela época a internet era muita novidade e eu nem tinha). Conhecia aí outro tipo de saudade.

Meus pais se separaram e novamente eu era apresentada a outra saudade, saudade de mãe, porque a minha foi morar em Manaus e eu tive aprender a conviver com isso sendo a minha nova vida.

Com a chegada da faculdade, eu sentia saudade do convívio diário com meus amigos da escolas e com a formatura da faculdade o mesmo sentimento se deu com os amigos feitos na Engenharia.

Passei mais da metade do meu namoro morrendo de saudade do Diego, porque ele morava e trabalhava em outra cidade, enquanto eu continuava no Rio.

Casei e sem eu querer e sem planejar me mudei para São Paulo e com isso carrego em mim uma saudade constante do meu pai, da minha irmã e agora da minha sobrinha. Saudade da praia, do cheiro de maresia, dos meus amigos de lá, da simplicidade quase displicente (e irritante às vezes) do carioca. Apesar do caos que se encontra o Rio de Janeiro, sinto saudade dele, talvez de um Rio que nem existe hoje, mas o que eu deixei há 10 anos.

Sei que sentir saudade será sempre uma realidade do meu coração, sempre fui assim, meio nostálgica. Às vezes dói, às vezes eu choro como aconteceu dia desses pelos corredores do aeroporto. Mas sinal de que tenho coisa boa para lembrar e gente muito querida por ai. Sigamos em frente.

Foi assim

Tive um ano muito diferente e hoje fazendo um exercício de inglês onde a professora perguntou o que eu achava que não devia ter feito em 2017, não soube responder. Não houve nada de que eu me arrependesse. Ainda bem.

Comecei o ano com o susto do Davi tomando oito pontos na sobrancelha e Deus me mostrando que Ele continua sendo Deus em qualquer situação. Um ano onde o meu desejo de parar de trabalhar, pelo menos onde eu estava, se realizou. Em março, o que pode ser o terror para muitos, para mim foi o alívio e a conclusão de um processo que para mim estava mais doloroso do que benéfico, que era o equilíbrio entre a maternidade e as exigências que o mundo corporativo nos faz. Graças a Deus isso foi possível financeiramente. Foi um ano de mais dedicação aos trabalhos da Igreja, mais tempo disponível e com mais qualidade com as crianças. O feito do Iron Man pelo Diego e essa experiência incrível para a nossa família. Uma filha que desenvolveu a fala e um filho alfabetizado. Sucesso! A descoberta da labirintite e da intolerância à lactose. Já nem tanto sucesso assim. Li muitos, muitos livros. Voltei a estudar inglês. Consegui ver meu pai muitas vezes, apesar da distância. Um ano de oração por uma amiga querida, uma outra amiga grávida como resposta a outras orações realizadas. Um sobrinha linda e amada que chegou a minha vida no finalzinho do ano. Claro que é impossível passar um ano sem se decepcionar com algo ou alguém, ou até mesmo decepcionar outras pessoas. Sem chorar, sem se desentender, sem perder a paciência. Aconteceu comigo também, é claro.

Mas sobretudo foi um ano de paz. Me livrei de uma angústia, de um peso que sentia sobre mim desde que o Davi nasceu. Foi um ano em que fui feliz sem pagar um preço excessivamente alto para isso. Um ano que trouxe muita leveza ao meu coração.

Sonhos para 2018, incertezas também. Mas espero, em Deus, que dê tudo certo.

 

Um beijo, setembro.

Setembro é, sem dúvida, um mês muito especial para mim, cheio de significados.

Em setembro de 2003, eu uma estudante de engenharia de 22 anos, com uma cor linda de quem ia à praia todo fim de semana e um corpo de quem ia à academia todos os dias, quando fiz uma viagem pela faculdade para conhecermos as hidrelétricas do Sul do país. Foi justamente nessa viagem que olhei para o Diego com outros olhos, um moleque de 21 anos, inteligente, sem cabelos brancos e um corpo de quem malhava sinistramente todos os dias da vida há muito tempo. Me interessei e ficamos. Desde então, estamos juntos, completando 14 anos de namoro.

Num feriado de setembro em 2007, fui do Rio para Campina Grande na Paraíba, onde o Diego morava na época. Eu uma mestranda (existe essa palavra?) em Engenharia numa renomada universidade e ele gerente de loja de uma das principais varejistas do país, consequência de um processo de trainee super concorrido que ele passou (cabeçudo desde essa época). A viagem era para tomar uma decisão em relação a nós. Ou mudávamos a maneira de namorar à distância ou terminávamos. Mal sabia eu que ele já tinha tomado uma decisão: a de me pedir em casamento. Antes disso,  uma confissão (bombástica) de tudo o que ele havia feito até então e do que eu também havia feito. Muitas lágrimas, confissões feitas, pela graça de Deus perdão liberado, estávamos de aliança no dedo. 5 meses depois estávamos casados.

Era manhã de 4 setembro de 2012, estava eu com 31 anos,  20 quilos acima do meu peso normal, com barriga, tornozelos e nariz prestes a explodir, Diego com mais cabelos brancos e um iniciante no mundo das corridas, quando chegávamos ao hospital com 40 semanas para dar à luz ao meu primogênito. Davi nasceu super saudável, peso e tamanhos normais, com muito cabelo, nos transformando em pais e nos fazendo experimentar o milagre de um nascimento e um dos maiores presentes que Deus nos deu.

Outra manhã de setembro, em 2015, 10 dias depois do aniversário do Davi, voltávamos ao mesmo hospital, eu com 34 anos, apenas 6 quilos acima do peso inicial da gravidez, Diego com 33 anos e muitos, mas muitos cabelos brancos e um atleta que treinava para uma maratona, eu uma consultora e ele um executivo do varejo. Nascia a minha menina, Fernanda, num parto com uma pequena intercorrência, mas saudável e também com muito cabelo. Experimentávamos novamente a alegria de um nascimento, a graça de Deus sobre nós e passávamos a ser pais de dois, ganhávamos mais um lindo presente.

É ou não um mês lindo e cheio de razões para eu comemorar toda vez que ele passa?

O relato de um Ironman (ou a declaração do meu amor)

IMG_5236(Na véspera da prova, meu marido mandou para algumas pessoas o texto que estou compartilhando. Li e reli e sempre me emociono. Foi um momento incrível para nós como família. Diego é um cara reservado, de poucas palavras, e a prova fez com que ele compartilhasse um texto desse tamanho…).

“O Ironman é a realização de um sonho de superação, algo que não imaginei que alcançaria. Desde quando comecei a correr em 2010, sempre vi o Ironman como inatingível. O sonho mais próximo que visualizava era ingressar no mundo do triathlon para fazer provas curtas.

O tempo passou e evolui bastante. Desde as primeiras provas de 10 km até as maratonas, sempre me realizei com a mistura entre superação e a capacidade de adaptação do nosso corpo. Mas o sonho do triathlon continuava. Até que se tornou uma meta para 2015: não terminar o ano sem fazer pelo menos uma prova de triathlon. Mas, a sobrecarga no trabalho quebrava a rotina de treinos e eu perdia bastante em performance e resistência.

Após a Maratona de Nova York em Nov/15, tinha recuperado grande parte da forma física, mas ainda não tinha alcançado a meta do triathlon. Por isso, comprei uma Bike e comecei a treinar. Também comecei a natação. E a primeira prova foi um triathlon short: natação 750m, Bike 20km e corrida 5km. E assim confirmei que o mundo do triathlon era muito mais legal que o da corrida.

Fui evoluindo na Bike e natação, ganhando confiança para fazer provas mais longas. Foi quando comecei a acreditar que era possível fazer um meio Ironman (natação 1900m, Bike 90km e corrida 21km.). Me inscrevi para o meio Ironman do RJ que seria em Nov/16. Na época, o treinador me falou que a conclusão do meio Ironman habilitava para começar a treinar para um Ironman completo. Não acreditei. Era a possibilidade de mirar o alvo que achava impossível. Me inscrevi para a prova do Iron em Floripa acreditando que não aguentaria, mas não podia perder a oportunidade, porque as inscrições se esgotam em horas.

Fiz o meio Ironman no RJ, foi muito duro, mas uma alegria em fazer algo que parecia impossível. A cabeça começa a questionar se seria possível aguentar um Ironman completo, considerando que o meio Ironman foi tão duro. Decidi seguir adiante e tive um fim de ano bastante disciplinado, continuei treinando forte e mantendo a dieta diferenciada.

Aos poucos fui construindo uma resistência que nem eu acreditava. Comecei a me acostumar com treinos de 150km de bike, às vezes 180km num dia e 36km de corrida no dia seguinte, culminando em 120km de bike e 30km de corrida logo em seguida. Quando realizei esse treino que era quase 70% da prova, vi o quanto seria difícil, mas também vi que era possível. Gerou uma confiança grande.

A maior dificuldade, mais do que aguentar os treinos (2 vezes por dia e às vezes com duração superior a 6h), mais do que conciliar com o trabalho (acordar às 4:30h), sempre foi a atenção à família, principalmente à Rafinha. A minha esposa é uma verdadeira IronWife. Porque o que ela aguenta é muito mais que toda essa rotina de treinos. Se não fosse o apoio dela, nada disso seria possível. Por isso estou tão feliz, antes mesmo de fazer o Ironman.

Ontem li uma frase interessante: “Vencer não é concluir o Ironman, mas ter a coragem de começar”.

Quero agradecer a Deus por esse privilégio e por ter me sustentado até aqui. Quero compartilhar com minha família essa conquista! E quero dedicá-la à Rafinha, minha mulher virtuosa!

Ponto final

IMG_3181

Eu e Prof. Falconi no Movimento Falconi 2016

No último encontro anual da minha empresa, quando encerrou o evento, olhei para o Prof. Falconi e pensei: Vou tirar uma foto com ele, porque há uma grande probabilidade de ser minha última participação aqui no Movimento Falconi. (Depois de uma mudança, a empresa há 4 anos leva o nome dele, antes chamava INDG).

Sempre nos referimos a ele como “O Professor”, porque é assim que o temos realmente. Ele é um senhor, mas só na idade mesmo, porque de cabeça é um cara jovem, otimista, empolgado, inteligente, sempre amei ouvi-lo, sempre me motivou e me deu orgulho por fazer parte do time e da história bonita que ele construiu com a Consultoria.

Foram 10 anos. Tudo o que aprendi sobre como trabalhar, sobre o mundo corporativo, sobre as empresas foi lá. Tenho certeza que é uma excelente escola, aprendi num dos melhores lugares para isso, no campo vendo, ouvindo, aprendendo e às vezes tomando esculacho dos grandes executivos do país. Conheci muita gente, gente que tive prazer em trabalhar com e outras torço para nunca mais encontrar, tanto cliente quanto equipe, mas faz parte. Nada de anormal. A consultoria me trouxe o aprendizado, além da parte técnica de gestão, de como me relacionar com os mais diversos tipos de pessoas, lideres e parceiros de time. A cada ano um novo projeto, num novo cliente, com uma nova equipe e nova liderança, impossível não desenvolver minimamente a capacidade de se adaptar a cenários e perfis distintos. E isso sempre foi o que eu mais gostei.

Fiz uma escolha que culminou com o término desse ciclo, para ser bem clichê. Pensa numa pessoa feliz? Eu. Pensa num alívio de não ser forçada a atender valores institucionais que vão contra os meus pessoais? O meu. Deu tudo certo. Deu tudo certo durante 10 anos e continuará dando tudo certo. Depois de stress em casa, também cheguei a conclusão de que meu marido sempre teve razão quando pedia para que tivesse calma, para que pensasse e depois da minha saída tem sido tão compreensivo, me surpreendendo lindamente.

Chorei quando assinei os papéis, 10 anos encerrados em 2 minutos. Fiquei mal quando esvaziei meu computador para ser devolvido, passando um filme dos projetos na cabeça com cada pastinha que eu apagava. Mas o motivo pelo qual eu orava há um tempo, foi respondido. Quase nem acredito, mas eu saí da Falconi.

E ainda bem que eu tirei a foto com o Professor, para guardar com carinho ter por tanto tempo feito parte da equipe de um cara tão bacana e inspirador como ele. Fui feliz durante esse tempo, depois da maternidade é que passei a questionar muita coisa e buscar outras opções, que fizessem mais sentido para mim. Os últimos anos foram difíceis para mim, emocionalmente muito difíceis. Mas fechei com chave de ouro, meu último projeto foi muito bom, pessoas que valeram à pena ter conhecido de verdade. Foi a melhor avaliação que recebi desde que me tornei mãe, porque isso faz bastante diferença. Mas não dava mais mesmo. Era questão de tempo, alguém desistiria primeiro, eu ou eles. Como comento com uma amiga da empresa que passou pela mesma situação esse ano também e compartilha dos mesmos sentimentos: Partiu ser feliz.

 

Mais que um Kindle

FullSizeRenderEssa semana ganhei, que eu me lembre, um dos presentes que eu mais gostei: um Kindle. Meu marido disse que tinha comprado para mim e em qual dia chegaria, quando fui pegar uma encomenda na portaria e vi que ele tinha chegado, antes do dia previsto, até suspirei: “Aaaahhh, chegou!” O porteiro até falou: “A senhora estava esperando era por esse aqui né?” Fui abrindo a caixa pelo elevador. Mas, apesar dessa introdução, não é especificamente sobre o Kindle que eu quero falar, mas falarei posteriormente. (aliás, estou com várias outras coisas para falar posteriormente…)

Ter ganhado esse presente me fez refletir sobre a maneira que as pessoas demonstram que amam, demorei para entender isso. Principalmente no casamento. Ano retrasado li “As cinco linguagens do amor” e foi uma leitura que me agregou muito, recomendo para quem convive com alguém que as demonstrações de amor não são verbalizadas e por vezes nos fazem achar que o outro não ama ou não faz questão de demonstrar. Meu marido não é uma pessoa romântica, não é uma pessoa que verbaliza seus sentimentos, emoções, frustrações, o oposto de mim nesse caso. Mas depois de anos, de algumas sessões de terapia, passei a entender as demonstrações de amor dele. (Sim, eu preciso mesmo 9 anos depois me sentir amada e não ter dúvidas disso).

Chegou à noite outro dia e disse que precisava me levar no restaurante que ele tinha ido na hora do almoço no trabalho, trouxe o pão que eu gosto do mercado, me cobriu quando veio deitar na cama, trouxe um ímã do lugar da  viagem que fez para a coleção da nossa geladeira, sempre troca os carros deixando o meu na frente, compra as coisas para minha natação, compartilha as vitórias e as dificuldades do dia a dia, está sempre de mãos dadas comigo e diz que me ama. Isso e muitas outras coisas são gestos de quem ama, de quem se importa com quem ama. Levei tanto tempo para perceber isso, que demonstração de amor não necessariamente são flores em todas as datas comemorativas, surpresas sinistras tipo de filme, mil telefonemas ao longo do dia só pra dar oi. Na verdade, eu até vivi isso com um ex namorado, era um romântico de filme e o romantismo e a fofura me sufocaram num grau que não consegui sustentar.

Não tem o certo e o errado, tem o que combina com cada um, tem a maneira com que cada um vive e enxerga a realidade. Isso não se limita a relação marido e mulher, mas qualquer outra. Eu gosto de demonstrar que amo, que me importo com as pessoas, certeza que não faço isso direito, ou que faço numa linguagem que o outro talvez não entenda. Mas a intenção sempre há em mim e em muita gente perto.

Tem só que estar atenta, o Kinlde foi demais, mas melhor que isso foi saber que foi um presente intencional para de fato me agradar e me fazer uma fofa surpresa.