“Sigam-me os bons”

É muito estranho ser líder de alguma coisa, de alguém, de uma atividade. Nunca nessa vida me vi nessa posição, prefiro ser liderada a liderar. De uns tempos pra cá, há uma exigência absurda para que todos nós sejamos líderes, quantos livros foram escritos nesses últimos 2 anos sobre esse assunto, nos ajudando a identificar e desenvolver essas características. Porém, se no mundo só existir líder, não vai dar certo. Isso é fato. Precisamos dos liderados, e essa é minha sorte e a minha bandeira, não existe líder sem liderado.

Na carreira em que escolhi, ou melhor, em que eu estou, porque eu não escolhi ser consultora em gestão (mais genérico, impossível!!!) mas aqui estou há 4,5 anos, esse perfil de líder é inevitavelmente exigido a medida que vou subindo na pirâmide, cada vez mais têm  consultores mais novos e menos experientes que eu, cada vez mais eu sou a mais velha da equipe e me assusto quando eu percebo que daqui a muito pouco tempo não vai ficar bem eu preferir sentar na mesa com os meninos imaturos que falam besteira o tempo todo ao invés de sentar com os líderes que estão conversando sobre os pontos críticos e estratégias a serem seguidas.

Tenho dificuldade em me ver como alguém que é a referência, que valida as coisas, que cobra, que orienta, que critica, que elogia, que é solicitado a tirar duvidas e que ensina. Ou no mínimo alguém que deveria fazer isso. Outro dia disse para uma menina que era feio uma mulher falar palavrão e uns dias depois a vi se policiando para substituir “car&%$#” por “caraca”. Elogiei e fiquei feliz com aquilo. Contando o caso para o Diego, ele disse que isso era ser líder: orientar, observar e dar feedback. Quando nossos olhos são bons, todo o resto é bom! Eu nunca ia ver isso desse jeito e ele mesmo comentou que as pessoas sempre acham que para ser líder tem que ser estilo Martin Luther King ou Mahatma Ghandi, influenciando nações. Eu ri tanto! Porque é isso mesmo que eu sempre imagino. Eu sou muito quieta, não sou de chegar e acontecer onde estou e sempre acho que lider faz, chega e acontece.

Durante essa semana fui consultada algumas vezes para dar direcionamento sobre algumas situações, fiquei feliz pois consegui resolver, porque fui lembrada, porque minha opinião é importante, porque aos poucos parece que tenho conseguido acertar. Fiquei feliz em perceber que o fato de eu gostar muito de pessoas e ter facilidade em me relacionar com elas, me ajuda a suprir outras características que eu não tenho e, sinceramente, nunca vou ter. Tem coisa que não dá, não dá pra desenvolver, no máximo a gente força uma barra e finge que tem.

Crescer é meio complicado mesmo quando a gente já tem 30 anos.

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